Mostrando postagens com marcador Livro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Livro. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 5 de junho de 2020
A Festa
Numa daquelas festas comemorativas de final de ano, em uma mansão de Teresina, bem agradável. Casa com área de festa bem ampla.
Fui convidado e sentei-me bem próximo da mesa de uma família animada. Tinha um Senhor que não podia ver o garçom passar que já pegava um copo de whisky. Bebia como quem bebe água. Cerveja e vodka também, misturava tudo. Pensei: isso não vai dar certo. Quando vinha uma bandeja, a gente já olhava pra ele.
A banda composta por três músicos tocava MPB. Só as selecionadas.
Umas três horas depois, o cidadão falou com a voz meio enrolada, que ia ao banheiro. “Meninos eu vi!” O homem com certa dificuldade de se por em pé, mas, enfim, conseguiu. Deu um passo à frente, outro para esquerda, deu uma “rezinha” de leve, engatou a primeira e mirou na banda. O banheiro era no sentido inverso. Enroscou o pé no fio do microfone que esse foi ficar longe. O cantor tomou foi um susto. Em seguida, se desequilibrou e abraçou o cara do violão, que foi tentar ajudar e quando o soltou, ele foi de encontro a bateria, derrubando tudo. Um dos filhos correu pra amenizar a situação, mas quando ia, ele já vinha, tropeçou na caixa de som, daquelas triangular, titubeou e engatinhou pra piscina. Não deu outra. Bebeu água. Quase morre afogado.
Foi aquele alvoroço. A festa parou. Tiraram o homem da piscina, parecia um pinto molhado. A família constrangida foi embora.
Ficamos lá. Imagina a gozação. Cada um querendo relembrar as cenas...
Carlos Holanda
domingo, 5 de abril de 2020
A conquista do Reino 17
Reino de Astride. Céu
estrelado. Castelo do rei Manoel II. A princesa Diana, com um vestido de seda
verde musgo de tonalidade mais escura e ramalhetes bordados a ouro na gola e na
bainha, caminha entre corredores com um brilho no olhar. Carrega embaixo dos
braços rolos de esboços da obra que ela tanto sonha: o teatro, feitos por seus
engenheiros e arquitetos. As tochas de fogo maiores iluminam o ambiente.
Guardas reais posicionam-se próximos ao rei, como estátuas, imóveis, porém,
atentos.
–– Majestade! Majestade!
Aqui estão os primeiros esboços e croquis da nossa obra! – Diana fala com um
sorriso largo de alegria, enquanto apanha no chão um dos rolos que escorrega e
cai.
–– Que maravilha, filha!
Deixe-me ver! – responde o rei que se levanta para receber a filha
compartilhando da sua felicidade.
–– Olhe! Aqui ficará o salão
teatral com colunas de mármore! Aqui, a entrada principal e saídas laterais! E
aqui...
–– Deixe que eu tire minhas
conclusões! – responde o rei, desenrolando todas as folhas do projeto e
colocando umas sobre as outras na mesa maior.
–– Está certo, meu pai! Olhe
com carinho. Tudo que está aí ficou de acordo com o que pedi. Mas o senhor pode
mudar o que achar conveniente, afinal, será o senhor que dará a palavra final!
–– Vou olhar com calma ainda
hoje, e amanhã, já terei a resposta! – diz o rei com olhar de aprovação colocando
uma planta sobre a outra – Ah, Diana, falta uma coisa em seu projeto.
–– E o que é pai?
–– O mais importante! O
nome!
–– O senhor tem alguma sugestão?
–– Primeiro quero lhe ouvir.
Certamente que você pensou tudo isso, mas com certeza tem a quem homenagear.
–– Sim! Tenho!
–– Pois fale!
–– É justo homenagear minha
mãe, sua esposa!
–– Concordo plenamente!
Teatro Real de Astride! Excelente! Excelente! Além de ser uma obra para
história!
–– Bem, já que o Senhor
concorda, vou me retirar para meus aposentos! Hoje foi bem cansativo!
–– Sim, filha! Tenha uma boa
noite de sono e descanso – o rei beija a filha na face, senta-se novamente e
continua a observar com muita atenção os croquis à luz de velas. Ele estala os
dedos e pede a um de seus súditos que lhe traga mais luz.
Diana sai, entra em seu
quarto, dispensa as criadas, fecha a porta por dentro, despe-se de suas vestes,
deixa-as no chão e entra numa enorme banheira de leite e rosas; passa algum
tempo ali, pensativa, de olhos fechados, levanta-se, caminha nua e enrosca-se
numa toalha aveludada e deita-se na cama, abraça um travesseiro branco, macio,
feito com penas de gansos e coloca outro
embaixo da cabeça. Do lado de fora, dois guardas armados com lanças e espadas mantém-se
em pé ao lado da porta.
(...)
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020
quinta-feira, 4 de janeiro de 2018
sábado, 16 de setembro de 2017
segunda-feira, 7 de agosto de 2017
quinta-feira, 6 de julho de 2017
Lendas do Piauí, o Livro
Com 58 lendas, 122 páginas, o livro ilustrado de Carlos Holanda já está nas bancas e livrarias de Teresina. O livro também tem em seu conteúdo 20 páginas sobre o Bumba Meu boi do Piauí, Maranhão e Parintins. É excelente para adotar em escolas públicas e privadas.
quinta-feira, 20 de abril de 2017
Baleia azul, a lenda
Livro de Carlos Holanda conta a lenda da Baleia Azul e mais cinquenta e sete histórias do imaginário folclórico do Piauí.
terça-feira, 18 de abril de 2017
Lendas do Piauí, o livro de Carlos Holanda
#Nossaslendas o livro, com 124 páginas P&B e capa com aplicação de verniz localizado, bem no estilo HQ.
Breve nas livrarias!
58 lendas do estado do Piauí pra você ler daqui prali.
Totalmente ilustrado com os talentos de Herbert Véras Viana e Carlos Holanda.
Breve nas livrarias!
58 lendas do estado do Piauí pra você ler daqui prali.
Totalmente ilustrado com os talentos de Herbert Véras Viana e Carlos Holanda.
quinta-feira, 2 de março de 2017
O nome próprio, dinheiro não compra.
O nome é a primeira marca registrada do indivíduo que nasce. É pessoal e intransferível. É uma escolha familiar que o dinheiro não compra. Pode-se até comprar um livro com nomes de “A a Z”, mas é o consenso dos pais para nomear os filhos, que o fazem por amor, homenagem ou admiração.
O nome tem uma série de significados e várias associações, sendo possível até influenciar positivamente ou não na vida.
Quase sempre há uma história em torno dessa denominação que por vezes pode ser referência ao avô, a um ídolo, a um santo, a outra pessoa importante ou simplesmente porque está na moda; não se tratando portanto, de questões financeiras. Existem razões de sobra para quem dá um nome.
Poderíamos tecer uma linha de comentários infindáveis em cada parágrafo desse texto, mas não é essa a linha de pensamento agora.
Estamos tratando aqui, único e exclusivamente, de uma coisa que o dinheiro não compra: o nome de uma pessoa, que nasce, cresce, reproduz, vive e morre como ser humano, e novamente renasce (o nome) para novas gerações.
Nome de pessoa não é sigla partidária.
Carlos Holanda
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
História e Curiosidades de Teresina - O livro
O livro História e Curiosidades de Teresina de Carlos Holanda, tem capa cartonada em policromia com aplicação de verniz localizado e vem com 190 páginas em P&B, ilustradas com fotos e desenhos do autor e do artista visual Herbert Veras Viana.
No conteúdo, além da história da capital do Piauí, vamos encontrar também um resumo de quase todos os bairros com detalhes de como surgiram alguns.
O valor do livro é R$ 30,00. Vale a pena conferir. Pedidos por e-mail.
diholanda44@gmail.com
No conteúdo, além da história da capital do Piauí, vamos encontrar também um resumo de quase todos os bairros com detalhes de como surgiram alguns.
O valor do livro é R$ 30,00. Vale a pena conferir. Pedidos por e-mail.
diholanda44@gmail.com
terça-feira, 29 de novembro de 2016
GINA, a caçadora – INÍCIO
O cenário nordestino
no interior em determinadas épocas do ano é desolador. O que se vê são cactos e
arbustos mais resistentes ao tempo. O gado não tem o que pastar. A seca chega a
atingir milhares de famílias e o que tem de bonito na imensidão de montanhas é
posto no horizonte pela obra de Deus: o por do sol.
Arte de Carlos Holanda
Todos os
dias o galo que ainda resta na casa de Regina anuncia um novo amanhecer cheio
de esperanças. E isso é o que o homem do campo tanto almeja, que São Pedro
mande chuva para aquelas terras áridas de barro vermelho, pois é de lá que é
tirado o seu sustento e os dos bichos.
Gina, como é
mais conhecida no povoado, mora com seu pai desde que sua mãe faleceu. Negra,
18 anos, tem personalidade forte, geniosa e decidida, sonha com dias melhores.
Seu irmão mais velho mora na capital. O outro, o do meio, ajuda o pai na
lavoura e nos afazeres da pequena propriedade e assim, vivem enfrentando o pão
que o diabo amassou nesse confim de mundo, nas brenhas.
Júlio, seu
irmão do meio, acostumado a viver no mato, não teve estudos, nunca esteve numa
sala de aula, mas em compensação ensinou
sua irmã a caçar, atirar com arco e flechas, feitos artesanalmente com
mufumbo, madeira inquebrável boa para produzir um bom arco. Aprendeu quando
mais jovem, a atirar facas com seu pai, que o ensinou quando passou um
determinado tempo trabalhando em um circo na cidade grande e assim, os dois
vivem nesse mundão de meu Deus, aprendendo com a natureza a lei do mais forte.
Vez ou outra, ele treina com sua irmã lutas corporais e diz que ela tem que aprender a se defender
sozinha...
Numa dessas
segundas-feiras, de manhã bem cedo, Rita de 16 anos, segue a passos largos rumo
à escolinha do povoado. É um longo percurso. Sozinha e confiante ela segue,
pois sua família pobre sabe que o único caminho para sua integridade e sucesso é o saber.
Rita e
Regina são amigas desde muito novas e moram a poucos quilômetros uma da outra e
sempre se encontram no meio do caminho pra chegarem juntas à casa do saber, mas
nesse dia, ela, por algum motivo, não veio. Rita não esperou.
Em
determinado ponto do caminho, um homem começa a seguir seus passos, esperando o
momento certo para atacá-la. Ele estreita a distância e a pega pelos cabelos.
Maltrata, bate e a estupra no matagal cinzento. Não havia como se defender,
diante de tamanha violência. Após o ato bestial, ele promete voltar e se ela
contar pra alguém, ele a matará. Deixa-a, desfalecida, e vai embora, após
satisfazer seus instintos selvagens.
Quando já
passava do meio dia, Rita, triste, frustrada, chorosa e sem entender quase nada
do que realmente havia acontecido, e ainda com hematomas por todo rosto, retorna
à sua casa. Não teria coragem de contar para seus pais, poderia até apanhar,
tanto era a ignorância àquela época. Disse apenas que caiu e bateu com a
cabeça. A família não engoliu a mentira contada, mas, aceitou por algum tempo.
A criança chorou baixinho, a noite toda. Soluçou muito, sentindo as dores de
não poder contar a ninguém.
Terça-feira
bem cedo, vai ao encontro da amiga Regina, no local combinado de todos os dias,
no meio do caminho. Dessa vez Regina já estava lá esperando. Após um longo
silêncio Gina percebe que não está tudo bem e pergunta:
- Rita eu te
conheço. Sei que você não está nada bem. O que aconteceu?
- Gina, eu
estou bem.
- Não! Não,
tá! Conta logo. Seu pai lhe bateu de novo?
- Não!
- Então me
conta. Senão vai dar meio dia e gente não sai daqui.
- Olha, vou
te contar, mas você vai jurar pela alma da sua mãe que não vai contar pra
ninguém. Nem para seu irmão nem para seu pai. Jura?
- Juro!
Conte minha amiga. Pode confiar em mim. Sou sua única melhor amiga.
Rita com
lágrimas nos olhos, narra todo o acontecido e é ouvida atentamente pela amiga
que lhe promete que isso não ficará assim.
- Jurei não
contar pra ninguém e você vai jurar que não contará o que vou fazer. Vou tomar
umas providências. Vamos embora. Você vai passar o resto do dia lá em casa. Vou
pedir meu irmão pra avisar seus pais que você vai dormir lá em casa e só
voltará amanhã, depois da aula. Tá bom?
- Tá!
E assim
fazem.
- Rita, me
diz uma coisa, ele deixou claro quando voltaria a atacar?
- Mulher,
não. Pode ser amanhã, como pode ser daqui a uma semana. Ele me ameaçou de
morte, caso alguém mais saiba dessa história.
- Temos que
bolar um plano. Ali é nosso caminho da escola.
- Gina, nem
sei como te agradecer. Também não sei fazer nada.
- Amanhã
como todos os outros dias, daqui pra frente sairemos juntas.
Segue-se uma
semana normalmente, de idas e vindas. De casa pra escola e vice versa.
Um mês depois...
Uma bela
segunda-feira ensolarada como sempre, Gina resolve esperar a amiga um pouco
mais cedo. As mulheres tem um Q de sexto sentido.
- Oi amiga!
Vamos?
- Não! Sabe
Rita, hoje acordei com um mau presságio. Quero que você vá em frente. Eu te
sigo à distância.
- Oh! Mas,
você é besta! Deixa disso, vamos!
- Faça o que
eu estou dizendo. Esse cara te atacou há exatamente um mês. Como ele viu que
não deu em nada, pode ser hoje. Vai. Vai.
- Tá bom. Eu
vou! Mas você me deixou com medo agora.
- Vai. Deixa
de conversa.
- Tá!
Gina, como
quem caça, sabe muito bem onde pisa pra não espantar a caça. Segue a amiga por dentro do mato, sempre
muito atenta.
Rita,
trêmula, com as palavras da amiga anda a passos largos, com olhos arregalados e
com medo até da sombra. O trauma não havia passado. É aterrorizante enfrentar a mesma situação duas vezes. São
cicatrizes que não saram, pois não ficam na pele.
Gina sabe que está na briga certa e sabe usar as armas.
É um longo
caminho até a escola sem uma vivente alma pra dar notícia de nada.
De repente,
Rita é surpreendida pelo mesmo homem que sarcasticamente lhe pergunta:
- Já está
saradinha pra outra boneca? E enquanto fala, tapa sua boca com uma das mãos e a
arrasta pra dentro do mato. Dessa vez ele veio com uma corda. A amarra. Rasga
suas roupas e fica fazendo cenas eróticas com uma faca em torno de seu rosto,
de seu pescoço.
- Você é uma
vagabunda! Sei que você não contou a ninguém por que gostou, e vai gostar mais
hoje. Vou fazer isso para seu bem. Vou te contar uma coisinha, vadia. Eu cavei
sua sepultura logo ali na frente. Não sou louco de te deixar viver dessa vez.
Tá me entendendo?
Nesse
momento, acreditando estar só com a menina, rasga suas roupas e deixa-a
completamente nua. Prepara-se para se deitar sobre ela e quando vai iniciar o
coito, de tão sádico que é não percebe que a menos de cinco metros Gina está
lhe apontando uma flecha, com o arco bem rígido.
- Ei! Olha
pra mim! Levanta! Quero acertar teu coração, se é que ele existe aí dentro!
- Mas de
onde diabos tu saiu, menina? Vai cuidar da sua vida ou vou ter que te matar
também.
- Chega de
conversa!
A flecha
corta o ar e atinge o peito esquerdo do homem. Não existe arma mais sutil e
versátil quanto o arco e a flecha. Não precisa de silenciador como as armas de
fogo. Uma só flechada é mortal, quando atirada por quem sabe.
O corpo
grande cai sem vida sobre a garota. Gina a desamarra e o arrasta com ajuda de
sua amiga para a cova feita por ele mesmo. Enterram-no e prometem o mais
absoluto sigilo sobre esse caso.
- Vamos
embora Rita.
- Vamos! Mas
quero que você me diga como sabia que ele viria hoje.
- Vou te
contar depois. Vamos sair daqui, agora.
- Mas
Gina...
- Sem mais.
Juro que não queria fazer isso, mas não tinha outro jeito. Vamos?
- Vamos!
Carlos Holanda
Assinar:
Postagens (Atom)















