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terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Pipas e papagaios

 


Uma reca de rapazotes e "urn minino" correndo aos berros atrás de pipas que caem igual o Neymar, numa folia total essa época do ano.

Um deles correndo e olhando pra riba se abraçou com um poste e ficou estatelado. Foi gozação e gritaria dos mais de quinze. Eu também quase morro de rir. Já fiz muito isso quando criança.

Esse é o verdadeiro senso de liberdade na infância, correr, brincar, sorrir e gritar como se não houvesse amanhã . "Ô marré" bom.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

O bigodinho


Quando eu era criança, criava pássaros em gaiolas, o que era um erro, mas eu não tinha essa consciência. Comprava gaiolas bonitas feitas com talos de buriti e outras de madeira trançadas com arame. Os galos- campinas, eu os pegava em alçapões de talos, assim como os canários e sabiás entre outros.

A historinha de hoje, muitos anos depois e eu já adulto, é sobre o bigodinho, também conhecido como papa-capim, estrelinha, gola-careta e caretinha. Mede 11 centímetros de comprimento. Tem um gorjear rápido e metálico. O macho é inconfundível, pelas áreas brancas na cabeça. É o contraste do negro do restante da plumagem. As partes inferiores são levemente cinza claro e, sob o sol forte, podem parecer brancas. Seu habitat são campos abertos e campos cultivados.

Devido ao seu canto, é um pássaro apreciado talvez tanto quanto o curió; junto com as alterações ambientais, acabaram por reduzir seu número em boa parte do país. O certo é que fui à feira dos pássaros, ali próximo do mercado central de Teresina para comprar um. Comprei-o com gaiola e tudo. Em casa, o bichinho cantava até de noite. Eu achava lindo, mas depois de algum tempo, provavelmente um mês, num final de semana, tomei umas geladas e me bateu aquele remorso. Eu não queria estar preso e ele também não. Pressenti que o bigodinho não cantava, ele chorava, implorava por liberdade. Então, fui lá, no pé da parede, retirei a gaiola, abri a portinhola e o soltei.

No dia seguinte, ele veio cantar às cinco da manhã no meu quintal. Acho que para agradecer e se despedir.

Hoje crio pássaros com tintas e pincéis.

sexta-feira, 5 de junho de 2020

A Caçada


         Quando eu era um menino assim duns treze anos e morava em minha terra natal Pedro II, fui passar um final de semana na aroeira, interior onde moravam meus tios. Lá chegando, como ainda era cedo, tomei café com leite mugido e tapioca. Com a pança cheia, pedi ao meu tio a espingarda para caçar ali por perto. Os caroços de chumbo eram guardados em um chifre de boi, daqueles bem lixados. Era uma obra de arte que a gente carregava a tiracolo. A espingarda era uma bate bucha, bem conservada e ele tinha ciúmes dela, mesmo assim, me entregou e disse:
- Tenha cuidado com as cobras!
- Certo tio! Volto ao meio dia. Ele acenou com a cabeça e eu fui. Me embrenhei no mato. A folhagem seca não me deixava ser tão silencioso. Depois de muito andar, avistei um jacu. Parei, me apoiei no tronco duma árvore e me aprumei pra mirar. Parecia um caçador de verdade. O silêncio reinou entre nós naquele momento e, não mais que de repente, como dizia o poeta, ouvi um farfalhar no chão. Olhei pro Jacu e ele estava lá, imóvel. E o barulhinho aumentava e se aproximava de mim. Adivinha o que era? Uma aranha gigante, uma tarântula, sei lá. Amarelei. Fiquei com o cu que não cabia um cabelo, e aí não deu outra, foi sebo nas canelas. Cheguei em casa da cor duma flor de algodão, suado, com o coração já pra sair pela boca. Meu tio foi logo indagando:
- O que houve rapaz, não tá nem com uma hora que você saiu? Pra quem disse que só viria ao meio dia. Que diabo tu viu, foi alma? Cadê a espingarda?
- Tio, uma aranha do tamanho dum prato avançou em mim. (Olha o tamanho da mentira). A espingarda ficou por lá. Mas o chifre tá aqui.
- Ô cabra frouxo. Armado e com medo de inseto. Nunca será um caçador de verdade.


       Pois não é que ele foi buscar a espingarda e ainda trouxe uma penca de nambus e preás para o almoço.


Carlos Holanda 

domingo, 1 de setembro de 2019

41 coisas que só quem é de Curitiba vai reconhecer


1. Chamar criança de "piá".
2. E chamar seus amigos de piá também.
3. Chamar estojo de "penal".
4. E túnel de "trincheira".
5. Ficar "de varde" depois do almoço.
6. Fazer cachorro-quente com "vina", e não com salsicha.
7. E explicar pro seu amigo de fora que ele deve pedir meio quilo de "batata baroa" se quiser fazer um purê de mandioquinha.
8. E meio quilo de "mimosa" se quiser fazer suco de tangerina.
9. Avisar que deixou algo para lá dizendo "larguei os bets".
10. Ficar tentando ver o prédio giratório girar.
11. Passar um café para comer com chineque (um tipo de pão doce, caso você não seja curitibano).
12. Dar informações detalhadas para quem vem à cidade entrar pelo Contorno.
13. Soltar raia (pipa, para os estrangeiros) quando era pequeno.
14. Olhar dentro do sapato antes de calçar com medo de encontrar uma aranha marrom.
15. Correr de briga (e de amigo chato) em dia de Atletiba.
16. Esperar a vida inteira por um táxi.
17. E duas encarnações pela construção do metrô.
18. Sair para beber e terminar a noite "cozido" (tecla SAP para o resto do Brasil: bêbado).
19. Até porque você já tinha caprichado no "tubão" (bebida alcoólica com refri) antes de sair.
20. Jurar que não tem sotaque.
21. Mas usar gírias como "dolangue" (para mentira, conversa fiada) e "djanho" (para diabo).
22. Ter colecionado os cofrinhos do Banestado.
23. Saber de cor a mensagem gravada que diz que "danificar ônibus, terminais, estações tubo ou não pagar a passagem encarece a tarifa".
24. E sair correndo dentro do ônibus quando percebe que está esperando o desembarque na porta errada.
25. Se espantar ao comer um x-salada fora de Curitiba e descobrir que ele vem sem presunto.
26. E desafiar os visitantes a comer rollmops.
27. Comprar sonhos de vários sabores do carro dos sonhos.
28. Encarar um x-montanha.
29. Acompanhado de Laranjinha (que não é refrigerante, embora seja gasosa).
30. Reconhecer um cocô de capivara.
31. Ouvir a tiazinha que grita "borboleta 13!" vendendo jogo do bicho no centro.
32. Comprar cocada no ônibus e passar mal no dia seguinte.
33. Conhecer não só o Oil Man, mas também a Associação de Homens-Óleo, e lamentar a extinção da Associação.
34. Xingar de "lazarento".
35. Sair de casa equipado para viver as quatro estações no mesmo dia.
36. Inclusive levando uma "japona" (e não jaqueta) na mochila.
37. Quando alguém pergunta do frio em Curitiba, dizer que o problema é o vento.
38. Brigar com os próprios conterrâneos para definir se é biscoito ou bolacha.
39. E acabar comprando uma Pipoteca.
40. Rebater os comentários de que curitibano é frio dizendo que, quando faz um amigo, é pra vida toda.
41. E saber que é mesmo.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

GATOS NO CIO

                                                             Foto web divulgação


Algumas coisas simples acontecem e assustam, principalmente quando se é criança.

Flavinha de 13 anos e André de 15 são irmãos. Ambos ficaram sós em casa à noite, enquanto os pais foram participar de um curso. A televisão foi ligada e os dois estavam na sala assistindo a programação normal e de repente começou aquela miadeira de gatos no cio sobre o telhado. Quem já ouviu sabe que é horrível o barulho, e para completar faltou energia. Ficou tudo às escuras e não tinha velas. Os dois abraçaram-se tremendo de medo no sofá. Meia hora depois, os gatos vão embora, e a energia volta ao normal. André liga a TV e todos os canais estão fora do ar. Três horas e meia se passaram e os pais voltam, abrem o portão, põem o carro na garagem e entram. A televisão sem mais nem menos entra no ar. Os garotos ainda assustados contam o que aconteceu e são consolados. Agora cada um vai para seu quarto dormir.

Os gatos que estavam no telhado agora estão dentro de casa. Não se sabe como eles entraram, mas o barulho infernal ecoa e o pai dos jovens levanta-se e os põe para fora.

O restante da noite foi tranquilo. Mas ficaram muitas interrogações.

Carlos Holanda

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Fases da vida

                                         Foto Web divulgação

A criança em sua mudança de comportamento - acontece o desenvolvimento da personalidade, não tem concepção de vida ou de morte. Vive inocentemente. Brinca, se diverte, sorri e aceita o que é imposto pelos familiares e até por estranhos.
O adolescente, o jovem, pensa que sabe os significados da vida e não teme a morte. Aventura-se perigosamente, induzido ou não. Tem a convicção de que pode resolver qualquer problema, mesmo que às vezes não prevaleça a razão. Acredita mais nos amigos de que na família, por achar que seus pares podem, por exemplo, guardar segredos que o pai ou a mãe não guardaria ou não entenderiam. Ledo engano. A família é a instituição mais séria que existe no mundo, mais confiável, e é para ser de fato o porto seguro da nossa juventude, pois é essa a fase mais difícil na formação do caráter.
O adulto por sua vez, já começa a ter ideias diferentes e formaliza conceitos, cria situações empreendedoras, busca caminhos positivos com acertos, embora saiba que por algum motivo possa dar errado. Mas, o importante é não desistir, e, persistir já é uma vitória. Um dia dará certo.
Existem inúmeros exemplos de gênios, artistas, empresários, inventores e tantos outros que tentaram muitas vezes a mesma coisa de forma diferente em todas as áreas da atividade humana. E o mais importante, essas pessoas conseguiram vencer na vida.
O idoso, já teve as mais diferentes experiências e começa a dar conselhos, pois já passou por isso, e mesmo dando exemplos sobre aquilo que não realizou, vale a pena ouvi-los.

Esta é, sem sombra de dúvidas, a melhor idade, onde a pessoa volta a ser criança novamente; quando toma algumas atitudes e quer ser jovem outra vez. Ter relacionamentos com pessoas mais novas para além de ensinar, aprender.

Carlos Holanda