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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Origem das frases VII

Façam o que eu digo, não o que eu faço


Um dos mais antigos registros desta frase encontra-se no Evangelho de São Mateus, capítulo 23, versículo 3, porém com pequena variação: “Façam tudo o que eles dizem, mas não façam o que eles fazem, porque eles dizem o que se deve fazer, mas não fazem”. Antes deste registro, no entanto, quando ainda não existiam frades nem santos, o comediógrafo e poeta romano Plauto (254-184 a.C.), a quem foi atribuída a autoria de 130 peças de teatro, aconselhou na terceira cena do terceiro ato de sua peça Asinária: “Pratica aquilo que pregas”.

Carlos Holanda


Origem das frases VI

Falai baixo se falais de amor


A frase é um conselho do célebre dramaturgo e poeta inglês William Shakespeare (1564-1616) que se casou aos 19 anos, abandonou o lar e passou a dedicar-se ao teatro. Alguns dizem que ele nunca existiu, sendo uma invenção histórica sobre a qual muitos estão de acordo. A existência de sua obra, porém, é fácil de ser comprovada em muitos lugares do mundo, em diversas línguas e em vários palcos onde vem sendo encenada há quatro séculos. Suas peças apresentam uma variedade impressionante de personagens e temas, com destaque para o amor e a política, quase sempre entrelaçados.

Carlos Holanda


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Origem das frases V

Um é pouco, dois é bom, três é demais


Esta frase foi popularizada em famosa canção de Heckel Tavares (1896-1969), intitulada Casa de Caboclo. Os versos dizem: “Numa casa de caboclo, um é pouco, dois é bom, três é demais”. Autor de cerca de 100 canções, o compositor soube como poucos conciliar o erudito e o popular, tendo obtido reconhecimento de crítica e público – no Brasil raramente combinados – por seus trabalhos musicais. Mas o sentido da frase, não sua forma, tem raízes bem mais antigas. Tanto a Bíblia como o Talmude advertem que três pessoas constituem um grupo grande demais para discutir assuntos íntimos. E um provérbio inglês declara que três são multidão – “three is a crowd”. Também na Itália e em Portugal circulam frases com sentido semelhante.

Carlos Holanda


Origem das frases IV

É um pé-rapado


No Brasil colonial, pés-rapados eram os trabalhadores que produziam riquezas na lavoura e nas minas. Com seu trabalho, o rei português dom João V (1689-1750) enchia as burras monárquicas de ouro e diamantes vindos do Brasil. Gastou fortunas em doações a ordens religiosas e foi gigantesco o esbanjamento que garantiu a vida luxuosa da corte, a ponto de o seu reino tornar-se a maior nação importadora européia. Mas erigiu também museus, hospitais e Casa da Moeda, além de providenciar a canalização do rio Tejo. Tudo pago pelos pés-rapados brasileiros.

Carlos Holanda


Origem das frases III

“Os acionistas são ovelhas ou tigres”


Esta frase foi dita pelo lendário banqueiro israelense Mayer Amschel Rothschild (1744-1812), fundador da casa de crédito que levaria seu nome. A família obteve muita fortuna especialmente com o financiamento de guerras europeias. No fim do século 19, liderava o ranking dos bancos. Distinguiu-se também na política, tendo vários membros barões do poderoso império austríaco. Um de seus descendentes foi o primeiro judeu no Parlamento Britânico. A frase indica o comportamento dos acionistas diante de operações que dão lucro ou prejuízo. 

Carlos Holanda


Origem das frases II

“Se a montanha não vem a Maomé, Maomé vai à montanha”


Esta frase foi originalmente dita pelo fundador do Islamismo, o profeta Maomé (570-632). Significa preferir o simples ao complicado. O profeta refletiu por quinze anos sobre o projeto de organizar todos os árabes sob leis rígidas, que combinassem religião política e moral. A frase foi pronunciada quando ele tentava converter alguns árabes que o desafiaram a mover o monte Safa (na Arábia Saudita) para perto de si. Maomé tentou e , não conseguindo, foi até o monte, acrescentando ter sido graça de Deus não ter conseguido o milagre, pois, quando se movesse, a montanha mataria a todos ali reunidos. 

Carlos Holanda




Origem das frases I

“Entrar com o pé direito”


Esta frase revela uma superstição que o império romano espalhou. Nas festas da Roma antiga, os convidados tinham de entrar nos salões dextro pede (com o pé direito) para evitar mau agouro. Personalidades brasileiras seguiram esta recomendação, entre elas o intelectual baiano Rui Barbosa (1849-1923), que a registrou em discurso às vésperas da posse de marechal Hermes da Fonseca (1855-1923), presidente do Brasil de 1910 a 1914: “Que o novo presidente entre com o pé direito”. Mas ninguém acatou mais a superstição do que Alberto Santos Dumont (1873-1932). Ele mandou construir em sua casa escadas pelas quais só era possível subir ou descer iniciando-se o percurso com o pé direito.

Carlos Holanda