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sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Ainda dá tempo

 


Não fui a um leito de hospital visitar enfermos.
Não fui à cadeia visitar um inocente preso.
Não fui a um asilo confortar idosos.
Não fui à igreja afagar um mendigo na porta.
Não fui a uma instituição que cuida de crianças com câncer.
Não ajudei uma pessoa a atravessar a rua.
Não cedi minha cadeira no ônibus para uma gestante sentar.
Não abri mão na fila do banco, mesmo sabendo que existem prioridades.
Eu nem tive a sensibilidade de ver uma flor que nasceu espremida na calçada.
Eu maltratei animais indefesos ao invés de dar carinho.
Eu não pensei no próximo, enfermo.
Eu respondo mal aos meus pais.
Eu sou mais importante que todos e sou fútil, inútil e não faço parte desse meio. Sou egoísta.
Não cumprimento ninguém. Isso também não faz mal.
Eu nem preciso ajoelhar e fazer uma oração. Já falo com Deus em pensamentos.

Ninguém se declara assim, mas existem. Os arrogantes até mentem afirmando que já fizeram mais da metade do que está escrito aí.

São as atitudes que mudam o mundo.


Carlos Holanda

domingo, 26 de abril de 2020

Cangaceiros 1


Joaquim da Silva, nordestino das brenhas do Piauí, é um homem forte, alto, de pele queimada pelo sol e mãos calejadas da labuta no cabo da enxada; caboclo de palavra, trabalhador, de personalidade forte, desses que só anda com a peixeira na cintura e é capaz de lavar a alma com sangue caso seja ofendido, pois não leva desaforo para casa. Mesmo que não esteja aboiando, carrega sempre o chapéu de couro no quengo, mas quando vai campear o gado usa o gibão e as calças de couro como se fosse uma farda para proteção contra espinhos e galhos.

Joaquim da Silva casou-se muito cedo com Maria dos Anjos, de papel passado no cartório e na igreja, e desse matrimônio nasceram sete filhos, seis homens e a penúltima é uma menina. Os dois filhos homens, os mais velhos, também se casaram com mulheres das redondezas, o outro, amancebou-se com uma moça de vida livre; os três casais moram mais distantes. Os outros quatro filhos, mais moços, residem sob o mesmo teto dos pais.


sábado, 22 de dezembro de 2018

A lagoa de lírios de água, de Monet


A lagoa de lírios de água talvez seja a tela mais representativa do período impressionista. Pintada entre 1907 e 1908 pelo francês Claude Monet, a tela tem 93 cm x 74 cm e pertence ao acervo do Metropolitan Museum of Art.
A tela faz parte de um conjunto de imagens produzidas por Monet durante os últimos anos de sua vida. A coletânea de pinturas a óleo Monet deu o nome de Nenúfares. A paisagem retratada trata-se do jardim do próprio pintor, na comunidade rural de Giverny, na França. Monet mudou-se para lá com a família em 1883 e adquiriu a propriedade sete anos mais tarde.

sábado, 2 de junho de 2018

Características do estilo realista

Realismo foi um movimento artístico surgido na França no século XIX, no período da Revolução Industrial, que teve grande influência na produção artística desse período. Mais tarde o movimento alcançou outros países da Europa e o Brasil.
O realismo teve manifestações artísticas em várias áreas, como arquitetura, teatro e escultura. Mas foi na pintura e na literatura que o movimento teve mais expressão.
Conheça as características mais marcantes do realismo:

1. Retratava os problemas e as desigualdades sociais


Essa é uma das características mais marcantes desse movimento artístico. A obra produzida nesse período retratava a realidade da vida em sociedade. As transformações sociais e políticas que aconteceram no períodos e as desigualdades sociais que surgiram a partir disso foram os temas mais presentes no realismo.
A preocupação com a retratação da realidade foi resultado do momento histórico do movimento, que surgiu durante o período da industrialização, na Revolução Industrial.
Uma das grandes consequências desse período foi a clara divisão que passou a existir entre a classe burguesa e a classe dos trabalhadores (proletariado). A partir da industrialização os trabalhadores passaram a deixar o trabalho no campo para buscar trabalho nas fábricas nas grandes cidades.
Ao mesmo tempo que a burguesia passou a viver melhor com o aumento da produção, os trabalhadores viviam em más condições de vida e com baixos salários nas cidades. 
Gustave Courbet (1819-1877), Jean-François Millet (1814-1875) e Théodore Rousseau (1812-1867) foram alguns dos pintores que retrataram a realidade social em suas obras.

2. Era uma forma de oposição ao romantismo

O realismo, como o próprio nome indica, demonstrava os aspectos mais reais dos acontecimentos e das pessoas. Por ter surgido depois do período do romantismo deixou clara a diferença que existia entre esses dois movimentos artísticos.
Ao contrário do romantismo, que tinha características mais subjetivas, o realismo era mais muito mais objetivo e voltado a exibir a realidade da maneira mais verdadeira possível. Não existiam as idealizações que são tão marcantes no romantismo. Os heróis românticos e sonhadores, que eram idealizados e exaltados no período do romantismo, deram lugar ao protagonismo das pessoas mais comuns e reais.
As diferenças em relação ao romantismo eram bem claras, tanto na pintura como nas obras de literatura. O maior comprometimento era demonstrar a realidade da vida em sociedade e a humanidade dos personagens retratados.

3. Criticava a Igreja Católica e a burguesia

Outra característica muito presente no realismo é a crítica direcionada principalmente à burguesia e à Igreja Católica.
Como o realismo foi um movimento mais atento à realidade e à análise crítica da sociedade, o comportamento da burguesia também foi muito criticado na obra produzida durante o período. A principal crítica era ao enriquecimento burguês que era resultado da exploração do proletariado.
Da mesma maneira, a doutrina e alguns posicionamentos da Igreja Católica passaram a ser um assunto muito presente na obra do período. 

4. Análise mais psicológica do comportamento humano


No realismo, principalmente na literatura, começaram as ser exibidas as características psicológicas dos personagens, que dava a eles uma personalidade mais real. Eram demonstrados os aspectos mais reais, como os defeitos, qualidades, dúvidas e fraquezas que eram comuns a qualquer ser humano.
Os problemas nas relações entre as pessoas, os conflitos morais e pessoais também foram muito presentes na literatura realista.
Essa característica é marcada principalmente pela presença de um narrador, muitas vezes na terceira pessoa, que apresenta as características e os conflitos emocionais vividos pelos personagens. Além disso, o uso quase excessivo de detalhes na descrição dos personagens e das situações dava um aspecto mais real aos comportamentos descritos.
São consideradas as primeiras obras literárias representantes do realismo: Madame Bovary (do francês Gustave Flaubert) e Memórias Póstumas de Brás Cubas (de Machado de Assis).

5. Visão científica dos acontecimentos

O realismo corresponde a um período em que existiram grandes avanços no campo da ciência e da tecnologia e isso refletiu muito na arte que foi produzida na época. A teoria evolucionista criada por Charles Darwin e o surgimento de máquinas a vapor são exemplos.
Dessa maneira, a visão mais crítica da sociedade, a partir dos avanços registrados na época passou a ser uma presença constante no realismo. A visão da evolução da ciência e das pesquisas influenciou na observação mais crítica dos acontecimentos sociais e políticos para a sociedade.
Além disso, o realismo retratou a influência dos avanços tecnológicos na sociedade, como a diminuição e a piora das condições de trabalho a partir da entrada das máquinas nas linhas de produção, que foi uma forte consequência da Revolução Industrial.
Fonte: significados.com.br