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domingo, 6 de dezembro de 2020

Opinião: Assunto de estado.

 


Não sei como dorme um político que se aproveita do erário, da merenda escolar, da verba da educação, da saúde e de tantos outros benefícios que o povo poderia ter. Talvez inebriado pelo poder e por saber que existe uma lei que o impede de ser preso chamada imunidade parlamentar.

Alguns desses senhores, enriquecem ilicitamente usufruindo dos recursos públicos indevidamente e, tendo participação direta ou indireta, cometem crimes que, por assim dizer, são crimes de morte. E, sobre outras circunstâncias, podem ser considerados genocidas, psicopatas, seriais killers, uma vez que fecham os olhos para tantos problemas por falta de estruturas sociais, não por falta de verbas. Por conta disso, dessas malversadas atitudes, há até casos de morte no país.

Posar de diplomata num estado pobre (ou rico), utilizando-se do poder público em causa própria também é crime.

Blindados em seus gabinetes, onde o povo não tem vez, usam uma máscara de dia e outra à noite, e isso não é de forma alguma discriminação, é a realidade.

Tem uns que fazem a “coisa” tão bem feita que nem a justiça percebe ou finge que não vê, pois tem o artifício de criar “laranjas” com CNPJ para lavar o dinheiro. Isso também não é novidade, visto que é noticiado constantemente em redes sociais e cotidianamente na imprensa.

O dinheiro não fala, ele insulta. Com esse vil metal, o "homem" despe-se de sua consciência, de seu caráter e consegue dormir satisfazendo seu ego e suas fantasias, porque a fome de poder sem se importar em quem irá doer, protegido pela lei é mais forte.

A Justiça está cega e talvez seja por isso que todos os cafajestes durmam bem, até o nosso hino conspira a favor:
“...Deitado eternamente em berço esplêndido
Ao som do mar e à luz do céu profundo
Fulguras, ó Brasil, florão da América
Iluminado ao sol do Novo Mundo!...”


Carlos Holanda

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Resumo da ópera

 


O ano de 2020 foi marcante e assustador. Provavelmente o pior de todos. Foi um ano que maltratou a humanidade de várias formas. A situação climática chegou ao extremo. Houve tsunamis mundo afora, terremotos, maremotos, guerras e pandemia.
No Brasil chuvas de granizos o que não é normal, enchentes, deslizes de terras, manchas de óleo nas praias, incêndio em hospital, queimadas que engoliram espécies valiosas da fauna e da flora, além do descaso de autoridades do governo federal com o povo.
O mundo ficou louco esse ano. Por conta do racismo estrutural pessoas negras morreram de forma violenta tanto no Brasil quanto em outros países. Isso sem contabilizar as mortes por balas perdidas, ou tiroteios em escolas.
Está acontecendo nesse momento atos preconceituosos violentos de homofobia, xenofobia, racismo e outras ações contra movimentos LGBTQ+ sem precedentes.
De todos os eventos e tragédias acontecidos ou em andamento, o pior é um país continental como o Brasil ser um navio sem comandante e que está à deriva. Um país onde o chefe da nação não dá a devida atenção para os 168 mil mortos pela doença. País onde esse mesmo homem e sua equipe nega a vacina e tenta empurrar cloroquina goela abaixo em pacientes. País onde o gestor principal não consegue sanar um problema de energia elétrica de um estado pequeno da federação. Pais onde o presidente chama o povo de outro estado de gay em tom de ironia, ofendendo assim não só as famílias, mas, uma marca, uma empresa que gera milhares de empregos. País onde esse presidente chama a nação de ‘maricas’, porque em sua visão míope, quer que o povo não use máscaras e não mantenha o distanciamento social para se proteger a si e aos outros. País em que o presidente ameaça outra nação com pólvora. É difícil enumerar tanta loucura. E amanhã quem sabe, teremos mais fatos.
Esse ano foi cruel. Perdi minha irmã caçula, porém, acredito que Deus a tenha num bom lugar. E para nosso conforto, aniversariamos todos da família. Estamos vivos e ainda posso brincar com meu neto. Mas o mais importante, é que em 13 de novembro de 2020 veio ao mundo outra criaturinha linda, para nos trazer alegrias. Nasceu Lina Holanda.

domingo, 25 de outubro de 2020

Viajante do tempo

 

Viajante do tempo
Quando eu estava aqui, vi muita coisa ruim acontecer.
Vi as queimadas pelo mundo, principalmente no Brasil; vi as manchas de óleo nas praias, vi a extinção de várias espécies, distribuição demasiada de agrotóxicos. Vi também todo tipo de preconceito e crimes violentos. Vi a ambiguidade dos humanos, a ignorância, a arrogância e a ganância. Vi sobretudo, a negação da ciência e a falta de respeito e amor uns pelos outros. Vi a conquista do espaço e nem um pouco de preocupação em sanar a fome de nossos irmãos em todos os continentes. Vi ricos ficando mais ricos e pobres ficando mais pobres. Vi guerras por religiões e outras para mostrar o poderio bélico.
Dei um pulo no futuro. E lá, vi que não havia abelhas. Vi que outras pragas surgiram no mundo. Surgiram vírus mortais. Vi que aumentaram os tsunamis, furacões, maremotos, terremotos e o rompimento de placas tectônicas. Senti a falta de ar porque nós não cuidamos do nosso planeta.
Decidi voltar para avisá-los que ainda há tempo para corrigir nossas falhas. Que ainda dá tempo de nos tornarmos mais humanos. E finalmente, dizer que o planeta não precisa de nós. Mas a raça humana está por um fio...
Carlos Holanda

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Tragédias pelo mundo e no Brasil




A humanidade já presenciou tragédias de praticamente todos os tipos. Muitas vezes foi vítima.

Em quase todos os continentes já houve os mais diferentes tipos de açoites da natureza, seja em forma de tsunami, furacão, terremoto, maremoto, erupção vulcânica e explosões em usinas nucleares, essa última por falha humana.

Já houve também em nosso planeta, em nossa terra, muitas pragas, epidemias e agora, por último, estamos diante de um fenômeno que ameaça devastar grande parte da população mundial e, que, mesmo com grandes profissionais renomados empenhados em busca de uma vacina, de uma cura, não se tem a certeza de quando virá essa resposta. É uma pandemia que atinge todas as idades, todas as classes sociais.

Há cerca de cinco anos, Bill Gates afirmou que o que provavelmente acabaria com a raça humana não seria armas atômicas ou nucleares, e sim um vírus ou bactéria. Até parece com as profecias de Nostradamus, que em alguns casos se cumpriram ao longo dos tempos. E por incrível que pareça, ele – o Bill Gates – esteve um mês antes da doença se espalhar, na China.

Todos nós sabemos que o Brasil é um país continental, que de certa forma, é quase impossível controlar todas as fronteiras. Mas, quero chamar a atenção para o simples fato de que nesse momento de isolamento social não vertical e sim horizontal, um homem que ganhava a credibilidade do povo, é simplesmente ameaçado de demissão, o que pode ocorrer mais tarde, uma vez que perde o apoio dos militares e vai contra as vontades do comandante em chefe da nação, que está mais preocupado com a reeleição, mesmo que seja por caminhos incertos, sacrificando o povo. Creio que essa será a maior tragédia no país, já que dos fenômenos citados acima nenhum atinge o Brasil.

Carlos Holanda

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Tradição de Ano Novo: Vestir Branco


No Brasil, existe uma tradição de se usar branco durante o Réveillon. Isso não ocorre em muitos outros lugares do mundo. Da onde veio a ideia, então? Do Candomblé.

Em meados dos anos 1970, os praticantes da religião que tinham o costume de comemorar a virada do ano na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro usavam sempre a cor branca na data, como representação da paz e da purificação, enquanto jogavam flores para Iemanjá, a rainha do mar.

Como era um ritual muito bonito, as pessoas começaram a copiar. Nasceu, assim, a tradição do uso da cor branca na passagem do ano, e de jogar flores no mar também. Mesmo que não sejam devotas do Candomblé ou acreditem em Iemanjá, a maioria das pessoas gosta de estar de branco por se identificar com a mensagem de paz. Há ainda quem diga que a roupa precisa ser nova para que o ano novo traga com boas energias.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

As marchinhas das vitórias das Copas de 1958 e de 1970


A Taça do Mundo é Nossa, célebre marchinha que embalou a conquista de 1958 (“A Taça do Mundo é nossa/ com brasileiro não há quem possa...”) é da lavra do obscuro trio Mag, Dag e Lau, e a interpretação mais famosa foi feita pelo grupo Titulares do Ritmo, O Pra Frente Brasil, que marcou o Tri em plena ditadura, em 1970 (“Noventa milhões em ação/ Pra Frente Brasil/ Salve a Seleção...”), é de Miguel Gustavo, compositor e autor de inúmeros jingles de radio e TV.

sábado, 7 de setembro de 2019

O pai do futebol no Brasil

                                                              Foto web divulgação

Charles Miller era filho de um escocês chamado John, que veio ao Brasil para trabalhar na São Paulo Railway Company, e uma mãe brasileira de ascendência inglesa chamada Carlota Fox, nasceu perto da estação ferroviária do Brás, na época um bairro industrial e operário de São Paulo. Aos dez anos, foi estudar na Inglaterra. Desembarcou em Southampton, no extrerno sul das ilhas britânicas, e aprendeu a jogar futebol na Bannister Court School. Atuando como jogador, árbitro e dirigente desde o princípio - e mais tarde apenas nas duas últimas funções - foi um entusiasta do desporto em geral, sendo também fundador da Associação Paulista de Tênis e, sem sombra de dúvidas, é, ao lado de Belfort Duarte, Hans Nobiling,Arthur Friedenreich e Luís Fabí um dos grandes propagadores do futebol no Brasil. 

Em 1884 ele foi mandado para uma escola pública em Hampshire, na Inglaterra, onde aprendeu a jogar futebol, rugby e críquete. Enquanto estava nesta escola, jogou por eles contra os times Corinthian SFC e o de St. Mary. 


Ele retornou ao Brasil em 18 de fevereiro de 1894 para trabalhar na São Paulo Railway (posteriormente Estrada de Ferro Santos-Jundiaí (EFSJ), como seu pai, tornando-se também correspondente da Coroa Britânica e vice-cônsul inglês em 1904. Trouxe na bagagem duas bolas usadas, um par de chuteiras, um livro com as regras do futebol e uma bomba de encher bolas. 


Miller foi fundamental na montagem do time do São PauloAthletic Club (SPAC) e a Liga Paulista de Futebol, a primeira liga de futebol no Brasil. Com ele como artilheiro, o SPAC ganhou os três primeiros campeonatos em 1902 de 1903 e 1904. Jogou no clube até 1910, quando encerrou a carreira. Depois disso, o pai do futebol brasileiro ainda atuou como árbitro. 


Foi casado com Antonieta Rudge (São Paulo, 13 de junho de 1885 - São Paulo, 1974), uma das grandes pianistas brasileiras de prestígio internacional, deixando geração, que ficou conhecida como Família Rudge Miller


O primeiro jogo de futebol no Brasil foi realizados em 15 de abril de 1895 entre funcionários de empresas inglesas que atuavam em São Paulo. Os funcionários também eram de origem inglesa. Este jogo foi entre FUNCIONÁRIOS DA COMPANHIA DE GÁS X CIA. FERROVIARIA SÃO PAULO RAILWAY. 

O primeiro time a se formar no Brasil foi o SÃO PAULO ATHLETIC, fundado em 13 de maio de 1888. 

No início, o futebol era praticado apenas por pessoas da elite, sendo vedada a participação de negros em times de futebol. 

Em 1950, a Copa do Mundo foi realizada no Brasil, sendo que a seleção brasileira perdeu o título, em pleno Maracanã, para a seleção Uruguaia (Uruguai 2 x Brasil 1). Em 2014, a Copa do Mundo de Futebol será realizada novamente no Brasil.

domingo, 1 de setembro de 2019

22 coisas que só quem mora em Brasília vai entender


1. Dizer que "o céu é o mar de Brasília". Há até uma proposta de tombamento do céu da cidade como patrimônio cultural.
2. Saber que os carros vão parar na faixa de pedestres quando alguém quiser atravessar. Sempre.
3. Achar normal umidade do ar em 10% ou, às vezes, até menos. Enquanto isso, em São Paulo, todo mundo fica desesperado quando o índice atinge 19%.
4. Chamar radar de velocidade de "pardal".
5. Fazer rodinha de violão à noite perto da tocha na Esplanada dos ministérios.
6. Responder "pizza Dom Bosco" ou "pastel da Viçosa" quando perguntam qual é a comida típica da cidade.
7. Sair de casa de regata e bermuda, mas levar um casaco e um guarda-chuva no carro.
8. Não abrir mão de ter um carro, aliás (ou sofrer muito com o transporte público precário).
9. Encontrar lugares por setores e endereços que são coordenadas cartesianas, que parecem um mistério para quem não é de Brasília.
10. Chamar bicicleta de "magrela" ou "camelo".
11. Apelidar ônibus de "baú" e achar a gíria muito melhor do que "busão", como chamam em outras cidades.
12. Ouvir o tempo todo as perguntas "você conhece a Dilma? E o Lula?"
13. Falar o tempo todo "véi", que é parecido com o "meu" de São Paulo. A entonação pode dar vários sentidos para a gíria.
14. Falar que algo ruim é "paia".
15. Ver a cidade toda florida em setembro, época de florescimento dos Ipês.
16. Ir à feirinha da Torre de TV e saber que lá dá para comer um acarajé baiano, uma pamonha mineira ou tomar um tacacá paraense.
17. Ter sotaque difícil de identificar por pessoas de outras cidades, pois Brasília é feita de pessoas de diferentes regiões.
18. Ver a imagem abaixo e imediatamente saber que é de Athos Bulcão, pintor, escultor e desenhista brasileiro que deixou sua marca em diversos prédios de Brasília.
19. Passar em frente ao shopping Pátio Brasil e lembrar da época em que adolescentes emos reuniam-se em frente; local chegou a registrar 13 suicídios de jovens, que se jogavam dos andares mais altos.
20. Dizer que "Brasília é um ovo de codorna" quando te apresentam alguém que você já conhece.
21. Estar atrasado para algum compromisso e dizer que "está na ponte" quando ligam e perguntam "cadê você?".
22. Rir do terno do Messi na premiação da Bola de Ouro de 2014 (a roupa parecida com a dos garçons do Beirute, bar tradicional da cidade):



31 coisas que só quem é de Recife vai entender


1. Acha super normal quando alguém fala que algo é "de hoje pra oito", como prazo de uma semana de entrega.
2. Entende quando fala que alguém é "frango" pra dizer que a pessoa é gay.
3. Bater um "comeu morreu", se referindo ao cachorro-quente de rua.
4. Não sabe o que é sentir frio tendo em vista que a mínima é de 25 graus.
5. Achar alguém "tabacudo" (babaca).
6. Fugir de "xexêro" (caloteiro).
7. Não marcar nada com aquele amigo "farrapeiro", aquele que sempre dá cano.
8. Ser "pirangueiro", o bom e velho pão duro.
9. "Gazear", faltar nas aulas.
10. "Filar" na prova (colar).
11. SEMPRE ficar preso no trânsito da Agamenon e da Rosa e Silva.
12. Tem que correr para "pegar o bacurau", ou seja, o último ônibus.
13. Não saber o que é pegar um ônibus vazio.
14. Dar de cara com uma farmácia Big Ben a cada esquina.
15. Zoar quem torce pro Náutico, afinal faz pelo menos uma década que ele não ganha nada.
16. Chamar alguém de "pixotinho" por conta da baixa estatura.
17. Falar que tudo que é bom é "massa" e tudo que é ruim é "peba".
18. Saber que rir dos outros é "mangar".
19. Odiar gente que faz "pantim", essa galera que é cheia de não me toques.
20. Ter visto o clássico Cinderela - A História Que Sua Mãe Não Contou.
21. Ficar "bicado" (bêbado) quando sai com os amigos.
22. Saber que quando alguém está macambúzo é que ela está triste.
23. Odiar com todas as forças "muriçoca" (pernilongo).
24. Explicar que Bolo de Rolo é a melhor coisa do mundo, e não, não é igual ao Rocambole.
25. Valorizar o suco de Pitanga com todas as suas forças.
26. Se esbaldar em um bolo de bacia com caldo de cana.
27. Se esbaldar numa Cartola.
28. Conhecer a história de Biu do Olho Verde e da Perna Cabeluda.
29. Se tem lá seus trinta anos sentir falta da Roxxy (pista de patinação).
30. Ter saudade da Livro Sete.
31. Explicar TODA VEZ que não é porque você mora em Recife que sabe dançar frevo.

terça-feira, 20 de agosto de 2019

A lenda do João-de-Barro


Numa aldeia indígena do sul do Brasil, o jovem Jaebé se apaixonou pela moça mais linda da tribo e foi pedi-la em casamento. O pai da moça afirmou que só consentiria se ele pudesse provar seu amor por sua filha.
Então, Jaebé declarou que ficaria nove dias em jejum. Aceito o desafio, os indígenas o enrolaram num grosso couro de anta, onde ele não poderia sair para comer nem beber.
Ao final dos nove dias, todos foram ao local onde estava Jaebé e desenrolaram o couro. Muitos achavam que ele estava morto, mas o índio saltou e se pôs a cantar para sua amada. Enquanto entoava uma bela canção de amor, seu corpo se encheu de penas e ele se transformou num pássaro.
Os raios da lua tocaram sua amada e ela também se converteu numa ave. Estavam tão felizes que resolveram construir uma bela casa. Ao contrário dos outros pássaros, o João-de-Barro e sua companheira fazem um ninho fechado para criar seus filhotes.

domingo, 18 de agosto de 2019

Arte contemporânea brasileira



Arte Contemporânea é a arte produzida no presente período de tempo.
Arte Contemporânea inclui, e desenvolve a partir de, arte pós-moderna, que é em si um sucessor para a arte moderna.
Estritamente falando, o termo Arte Contemporânea” refere-se a arte feita e produzida por artistas que vivem hoje.
Artistas de hoje trabalhar e responder a um ambiente global que é culturalmente diversificada e tecnologicamente avançada, e multifacetada.
Trabalhando em uma ampla variedade de mídias, artistas contemporâneos, muitas vezes refletir e comentar sobre a sociedade moderna.

Arte Contemporânea – Definição

Arte Contemporânea é a arte de hoje, produzidos por artistas que estão vivendo no século XXI.
Arte Contemporânea oferece uma oportunidade para refletir sobre a sociedade contemporânea e as questões relevantes para nós mesmos e o mundo ao nosso redor.
Os artistas contemporâneos trabalham em um mundo globalmente influenciado, culturalmente diversificado e tecnologicamente avançado. Sua arte é uma combinação dinâmica de materiais, métodos, conceitos e temas que desafiam os limites tradicionais e desafiam a definição fácil. Arte diversificada e eclética, contemporânea como um todo se distingue pela própria falta de um uniforme, princípio organizador, ideologia ou “ismo”.
Arte Contemporânea é parte de um diálogo cultural que diz respeito a quadros contextuais maiores, como identidade pessoal e cultural, família , comunidade e nacionalidade.
É um período artístico que surgiu na segunda metade do século XX e se prolonga até aos dias de hoje.

Arte Contemporânea – Realidade

No final dos anos 50, depois da série de ismos surgida na primeira metade do século, a idéia de uma arte que copie a realidade está completamente falida.
Para uns, o jogo de formas e cores é suficiente por si só; para outros, uma obra de arte deve expressar idéias; outros ainda consideram essa expressividade fruto do diálogo da arte com a realidade.
A partir dos anos 60, para muitos a arte não deve mais se distinguir da realidade e sim ser parte dela, abolindo portanto todos os suportes – a parte física das obras. São artistas que dispensam a tela, o papel, a escultura e buscam novas formas de expressão.
Arte Conceitual
Criada nos anos 60 por Joseph Kossuth a partir das idéias de Marcel Duchamp, a arte conceitual parte do princípio de que o simples deslocamento dos objetos de seu contexto habitual pode provocar uma reação reflexiva do observador.
A combinação de alguns elementos sugere idéias; em Uma e três cadeiras (1965), por exemplo, Kossuth propõe uma discussão sobre os limites da linguagem contrapondo uma cadeira (o objeto tridimensional), uma foto de cadeira (sua tradução bidimensional) e a palavra cadeira (sua versão simbólica).
A arte conceitual gera, nos anos 70, o conceito de “instalação” – um arranjo cênico de objetos, que vem a se tornar a linguagem predominante da arte no fim de século. Variante da arte conceitual é a land art (arte da terra), dos ingleses Richard Long e Robert Smithson, que intervêm em formas da natureza, colocando por exemplo círculos de pedra numa clareira de floresta.
Arte Contemporânea
Arte Contemporânea
Minimalismo
O minimalismo surge em 1960 e utiliza um mínimo de recursos e a simplificação extrema da forma. O termo é mais aplicado à arte tridimensional do italiano Piero Manzoni e dos norte-americanos Donald Judd e Robert Morris. O método minimalista ordena unidades formais, idênticas e inter-relacionadas, criando freqüências seriais (como modulações) que questionam os limites da sensação, ao repetir-se ao infinito ou inverter continuamente as escalas. Nesse sentido, a obra nunca está acabada e, como o universo físico na teoria da relatividade, depende sempre do observador.
Pop Arte
Ainda nos anos 50, surge com o inglês Richard Hamilton a pop art, que nos anos 60 se torna o movimento artístico mais influente dos EUA. Sua idéia é reutilizar imagens da sociedade de consumo (de marcas industriais a celebridades), chamando a atenção do espectador para sua qualidade estética e poder de atração, fazendo ampliações ou variantes cromáticas. Andy Warhol faz serigrafias com o rosto de artistas de cinema (Marilyn Monroe) e embalagens de alimentos (sopa Campbell’s).
A bandeira americana (utilizada por Jasper Johns), histórias em quadrinhos (Roy Lichtenstein) e outros ícones da comunicação de massa são usados. No caso de Robert Rauschenberg, colagens e ready-mades servem para incorporar maior grau de conceitualização à pop art, discutindo questões como a fragmentação obsessiva e fetichista do mundo contemporâneo.
Arte Povera
Nos anos 70, na Itália, sob influência da arte conceitual e também como reação à “assepsia” minimalista, surge a arte povera (arte pobre). O material das obras é inútil e precário, como metal enferrujado, areia, detritos e pedras.
Na combinação dos elementos, a arte povera põe em questão as propriedades intrínsecas dos materiais (que podem mudar de características com o tempo, ou ter qualidade estética inesperada) e o valor de uso na economia capitalista contemporânea. Giovanni Anselmo é o principal praticante da arte povera.
Arte Performática
O pioneiro da arte performática, que nos anos 70 se torna moda mundial, é Allen Kaprow, que cria em 1959 o happening (acontecimento): uma apresentação aparentemente improvisada, em que o artista se vale de imagens, músicas e objetos e incorpora a reação do espectador. Do happening nasce depois a performance, que é planejada e não prevê participação da platéia.
Em 1965, por exemplo, Joseph Beuys cobriu o rosto com mel e folhas de ouro, pegou nos braços o cadáver de uma lebre e percorreu uma exposição de pinturas discursando sobre a futilidade da arte diante da tragédia ecológica.
Variante da arte performática é a body art (arte do corpo), do francês Yves Klein e do norte-americano Bruce Nauman, que usa o corpo humano, como garotas nuas pintadas de azul que, dançando, se jogam contra telas em branco.
Hiper Realismo
No final da década de 60, inspirados pela pintura de Edward Hopper, artistas norte-americanos como Chuck Close, Richard Estes e Malcolm Morley proclamam o retorno ao figurativismo. Ainda que centrado na técnica clássica de perspectiva e desenho e na preocupação minuciosa com detalhes, cores, formas e textura, não postula a arte como cópia fotográfica da realidade. Utiliza-se de cores luminosas e pequenas figuras incidentais, para pintar de maneira irônica e bonita o caos urbano atual.
Neofiguração
Nos anos 70 e 80, a volta da pintura figurativa ocorre de diversas maneiras. Na transvanguarda italiana, por exemplo, artistas como Sandro Chia e Mimmo Paladino contrapõem o antigo ao moderno, num ecletismo que reflete a própria história da arte. O mesmo ocorre na arquitetura pós-modernista de Paolo Portogallo, que mistura os mais diversos estilos.
Mas há também um retorno do figurativismo por uma perspectiva diferente. Na pintura do alemão Anselm Kiefer, por exemplo, paisagens e pessoas aparecem num mundo expressionista de angústia e solidão, mas não são “retratadas”.
Nela, as figuras são tão significativas quanto a textura das camadas de tinta. Há uma ponte entre a técnica abstrata (que busca a expressão no arranjo formal) e a figurativa clássica (que busca a expressividade do objeto que retrata).
Outros artistas neofigurativos: os ingleses Francis Bacon, Lucian Freud e Frank Auerbach e o franco-polonês Balthus.

Arte Contemporânea – Brasileira

Arte brasileira contemporânea possui uma história tão longa quanto a dos países culturalmente hegemônicos. Dela participam umas quatro gerações ou safras de artistas que aqui produziram e hoje emprestam sentido genealógico às gerações mais novas, referenciando-as. Não pretendo com isso negar as influências internacionais diversas a que estamos naturalmente submetidos, mas enfatizar uma tradição interna cujo sentido singular encontra-se em nossa história da arte recente, fruto da tensa interseção do nacional com o global.
A observação procede já que o tema do presente Simpósio (Arte Contemporânea no Limiar do Século XXI), impõe um recorte específico ao complexo conjunto, plural e heteróclito, tecido nos últimos 45 anos, que chamamos de produção contemporânea brasileira. Entre sobrevoar a floresta com o discurso crítico-teórico, e a apresentação direta, visual, de uma de suas espécies, escolhi a segunda opção.
Apresentarei um segmento ainda pouco conhecido da mais jovem e recente produção contemporânea, cujas intervenções públicas e institucionais correspondem simultaneamente ao espírito de nossa época e à uma genealogia de artistas que começa com as experiências de Flávio de Carvalho, a participação do público e a integração entre arte e vida propostas por Lygia Clark e Hélio Oiticica, passa pela crítica institucional de Nelson Leirner, até as situações e experiências de Artur Barrio e as Inserções em Circuitos Ideológicos de Cildo Meireles. Eu não poderia falar sobre este tema sem a preciosa colaboração de Marisa Florido César, pesquisadora e curadora do Rio de Janeiro, que vem estudando o assunto desde as primeiras manifestações desta tendência lá pela passagem da década de 1990 para a de 2000. A ela meu agradecimento.
Após breve introdução a algumas idéias e precedentes históricos, tentarei estabelecer alguns traços que singularizam essas poéticas da ação na atualidade em suas diferenças com seus pares genealógicos do passado. Finalmente, e esta será a parte mais importante de minha intervenção, tentarei passar em mais de 60 imagens as propostas alguns artistas, sem qualquer apreciação crítica. Será uma projeção cujo propósito é visualizar estas intervenções, em lugar de aprisioná-las no discurso crítico.
Temo que a publicação de minha comunicação perca o essencial de sua dinâmica, já que não poderão ser publicadas todas essas imagens que consistirão a parte mais atraente do tema por mim escolhido. Por outro lado é indispensável adverti-los que o que será apresentado também não configura um conjunto homogêneo.
A proliferação de grupos de artistas é hoje um fenômeno manifesto em quase todas as regiões do Brasil. Entretanto a diversidade sócio-econômica, cultural e até mesmo geográfica destas regiões imprimiu suas marcas nestes grupos, tornando seus objetivos bastante diferenciados. Numa certa medida a mesma advertência feita em relação ao conjunto da arte contemporânea brasileira vale também para estes jovens artistas. Mas a despeito das diferenças de suas propostas, eles configuram um único fenômeno, fundado em problemas político-institucionais e carências semelhantes.
Primórdios da contemporaneidade no Brasil
As primeiras manifestações da arte contemporânea brasileira ocorreram na passagem da década de 50 para a de 60. Duas ações performáticas de Flávio de Carvalho, a Experiência nº 2 e a Experiência nº 3, realizadas em 1931 e em 1956 (1); os Bichos de Lygia Clark (1960)(2) e os Núcleos e primeiros Penetráveis de Hélio Oiticica (1960) (3), podem ser tomados como emblemas do nascimento da definitiva sincronização do país em relação às questões universais da arte ocidental.
No entanto é necessária uma distinção: ainda que tenham precedido à revolução interna operada na produção de Clark e Oiticica, as experiências de Flávio de Carvalho, não tiveram, como as destes, quaisquer desdobramentos nas obras de outros artistas da época, nem mudaram o rumo de sua própria produção, sempre centrada na pintura. Estas duas intervenções só começaram de fato a ser incorporadas à gênese de nossa arte mais radical pelo discurso crítico dos anos 90. Sua influência, portanto, é um fenômeno retrospectivo, recentemente construído, já que nem seu autor as defendia como ações de teor artístico pleno.
Num caminho diverso, a radicalização das propostas inaugurais de Oiticica levou-o, num processo experimental coerente e deliberado, à realização de Maquetes como a do Projeto Cães de Caça (1961), dos Bólides (1963- 1966) e dos Parangolés (1964-1969) (4). Com o mesmo espírito e no mesmo sentido, Clark produz o Caminhando (1964) e as Máscaras Sensoriais (5), trabalhos que consolidam as posições pioneiras destes dois últimos artistas em relação a origem e à expansão efetivas da arte contemporânea no Brasil.
Ainda que consideremos a forte especificidade, tanto de repertório quanto de método, da produção visual brasileira, podemos observar que nos últimos 45 anos ela configura uma rede inteligível de obras e de ações contemporâneas que poderiam ser inscritas e, em alguns casos já se inscrevem, no debate internacional.
Por que essa sincronia foi ocorrer no momento exato da passagem, nos Estados Unidos e na Europa, da tradição modernista (centrada na pesquisa e invenção formais) para a contemporaneidade (retorno ao ícone e a narrativa) que introduz pela primeira vez no campo da arte a temporalidade como fluxo ou processo (experiência, apropriação, e com elas, aproximação entre arte e vida)?
Década de 50 no Brasil: A Experiência Moderna Condensada
A resposta provavelmente está na experiência condensada, mas radical, das vanguardas abstracionistas que floresceram no país, no pós-guerra, entre 1948 e 1960. Tal como o de outros países latino-americanos, o Modernismo brasileiro havia se desenvolvido desde o começo do século passado em torno do compromisso com questões sociais e temas da vida nacional, em detrimento da investigação plástico-formal que então movia as vanguardas européias do mesmo período. Será somente com a emergência da arte Concreta e Abstrata, por volta de 1949, que os artistas brasileiros passaram a investigar prioritariamente, e em várias direções, as possibilidades expressivas e poéticas da matéria e dos materiais, do espaço, da cor, da forma, do plano, do volume e da linha.
Se a Abstração Informal direcionava a investigação desses elementos plásticos para uma esfera subjetivada, as tendências construtivas, concentradas nas cidades do Rio de Janeiro(6) e de São Paulo(7) elaboraram, em contraposição à primeira, repertórios formais mais objetivos, suscitados pela geometria, apesar das diferenças entre estes agrupamentos de artistas das duas maiores urbes do país.
Sua tardia implantação e curta duração foram seguramente compensadas e potencializadas pelo conhecimento que estes artistas possuíam a respeito de experiências análogas em países vizinhos como o Uruguai (Torres-Garcia) e, sobretudo, a Argentina (Arte Concreto-invención, Madí; 1943), mas também pelas experiências históricas das vanguardas construtivistas e abstracionistas européias (Suprematismo, Neoplasticismo, Concretismo, Abstração Lírica, Tachismo etc.). Foi entretanto um lapso suficiente para mudar de modo definitivo nossa posição de descompasso em relação aos países culturalmente hegemônicos.
Esta arrancada final do modernismo brasileiro preparou o solo onde na década seguinte (60) iriam florescer os primeiros artistas contemporâneos do país.
Entretanto, nunca é demais destacar o papel decisivo desempenhado nesta renovação pelos mais radicais remanescentes da fase final do modernismo brasileiro.
O deslocamento dos eixos poéticos de Lygia Clark, Lygia Pape e Hélio Oiticica, cujos processos de trabalho terminaram distanciando-os de uma investigação mais formal e espacial, de teor Neoconcreto (que buscava a integração entre o espaço da obra e o espaço real), para outra mais participativa (que propunha a aproximação da arte à vida), teceram as conexões inaugurais de nossa contemporaneidade, a partir de nossa experiência modernista. A ruptura com algumas das questões cruciais da modernidade no Brasil não se deu somente com a emergência da Nova Figuração brasileira (1965), ela também pode ser observada, numa outra medida e direção, na própria dinâmica da produção destes três artistas.
A (outra) Arte Contemporânea Brasileira
Neste início de 2003 os principais grupos de artistas brasileiros dedicados a intervenções públicas e efêmeras são: Atrocidades Maravilhosas, Radial, Vapor, Hapax, Rés do Chão, Agora, Capacete, Açúcar invertido, Interferências Urbanas (Rio de janeiro); Grupo Ponteseis, Galeria do Poste (Niterói); Núcleo Performático Subterrânea, Grupo Los Valderramas, Espaço Coringa, A.N.T.I. Cinema, Fumaça, ZoX, Marrom, Grupo CONTRA, Linha Imaginária (São Paulo); Alpendre, B.A.S.E., Transição Listrada (Fortaleza); Entorno (Brasília); EmpreZa, NEPP, Grupo Valmet (Goiânia); Urucum, Invólucro, Cia Avlis em movimento, Murucu (Macapá); Torreão, Grupo Laranja, Flesh nouveau!, Perdidos no Espaço (Porto Alegre), Grupo Camelo, Valdisney (Recife); “Grupo” (Belo Horizonte); After-ratos (os ratos estão em toda parte), Movimento Terrorista Andy Warhol – MTAW (sem procedência fixa, única ou revelada). Fernando Cocchiarale

10 aspectos da arte contemporânea

1. Em 1910, o russo Wassily Kandinsky pintou as primeiras aquarelas com signos e elementos gráficos que apenas sugeriam modelos figurativos, uma nova etapa no processo de desmanche da figura, que se iniciara com Pablo Picasso e Georges Braque, na criação do cubismo, por volta de 1907. Assim, a abstração, uma representação não-figurativa —que não apresenta figuras reconhecíveis de imediato— tornou-se uma das questões essenciais da arte no século 20. Movimento dominante na década de 1950, a abstração pode ser conhecida também em livros como “Abstracionismo Geométrico e Informal”, de Fernando Cocchiarale e Anna Bella Geiger (Funarte, 308 págs., esgotado).
2. A “arte concreta”, expressão cunhada pelo holandês Theo van Doesburg em 1918, refere-se à pintura feita com linhas e ângulos retos, usando as três cores primárias (vermelho, amarelo e azul), além de três não-cores (preto, branco e cinza). No Brasil, o movimento ganhou densidade e especificidade própria, sobretudo no Rio e em São Paulo, onde se formaram, respectivamente, os grupos Frente e Ruptura. Waldemar Cordeiro, artista, crítico e teórico, liderou um grupo com o objetivo de integrar a arte a aspectos sociais como o desenho industrial, a publicidade, o paisagismo e o urbanismo.
3. O grupo Neoconcreto teve origem no Rio de Janeiro e teve curta duração, de 1959 a 1963. Ele surgiu como conseqüência de uma divergência entre concretistas do Rio e de São Paulo. Em 1959, Ferreira Gullar publicou um manifesto onde as diferenças entre os grupos são explicitadas, e a ruptura se consolidou, gerando um movimento brasileiro de alcance internacional. Entre os artistas mais conhecidos estão Hélio Oiticica e Lygia Clark, além do próprio Gullar. Três excelentes introduções são “Etapas da Arte Contemporânea” (Revan, 304 págs., R$ 48), de Gullar, “Neoconcretismo” (Cosac & Naify, 110 págs., R$ 59,50), de Ronaldo Brito, e “Hélio Oiticica Qual É o Parangolé?” (Rocco, 144 págs., R$ 24,50), de Waly Salomão.
4. A aparição da pop art (ou novas figurações), na Nova York do final dos anos 50, foi surpreendente. Longe de ser uma representação realista dos objetos, ela enfocava o imaginário popular no cotidiano da classe média urbana e mostrava a interação do homem com a sociedade. Por isso, tomava temas de revistas em quadrinhos, bandeiras, embalagens de produtos, itens de uso cotidiano e fotografias. No Brasil, interagiu com a política e teve em Wesley Duke Lee, Antonio Dias, Nelson Leirner, Rubens Gerchman e Carlos Vergara seus expoentes.
5. A arte conceitual trabalha os estratos mais profundos do conhecimento, até então apenas acessíveis ao pensamento. Nascida no final dos anos 1960, ela rejeita todos os códigos anteriores. No Brasil, o movimento conceitual coincidiu com a ditadura militar (1964-1985), e a contingência lhe deu um sentido diferente da atitude auto-referencial, comum nos outros países. Um dos artistas brasileiros mais ligados ao conceitual é Cildo Meireles, cujo trabalho foi estudado pelo crítico e curador americano Dan Cameron, em livro que leva o nome do artista.
6. A presença do objeto na arte começa nas “assemblages” cubistas de Picasso, nas invenções de Marcel Duchamp e nos “objets trouvés” (objetos encontrados) surrealistas. Em 1913, Duchamp instalou uma roda de bicicleta sobre uma banqueta de cozinha, abrindo a rota para o desenvolvimento dessa nova categoria das artes plásticas. Hoje em dia, os “ready-mades” —obras que se utilizam de objetos prontos— já se tornaram clássicos na arte contemporânea. Por aqui, a essas experiências começaram a ser realizadas somente nos anos 60, com os neoconcretos e neofigurativos.
7. As instalações se caracterizam por tensões que se estabelecem entre as diversas peças que as compõem e pela relação entre estas e as características do lugar onde se inserem. Uma única instalação pode incluir performance, objeto e vídeo, estabelecendo uma interação entre eles. O deslocamento do observador nesse espaço denso é necessário para o contato com a obra, e é assim que a noção de um espaço que exige um tempo passa a ser também material da arte.
8. Na forma como o compreendemos hoje, o “happening” surgiu em Nova York na década de 1960, em um momento em que os artistas tentavam romper as fronteiras entre a arte e a vida. Sua criação deve-se inicialmente a Allan Kaprow, que realizou a maioria de suas ações procurando, a partir de uma combinação entre “assemblages”, ambientes e a introdução de outros elementos inesperados, criar impacto e levar as pessoas a tomar consciência de seu espaço, de seu corpo e de sua realidade. Os primeiros “happenings” brasileiros foram realizados por artistas ligados ao pop, como o pioneiro “O Grande Espetáculo das Artes”, de Wesley Duke Lee, em 1963.
9. Da integração entre o “happening” e a arte conceitual, nasceu na década de 1970 a performance, que se pode realizar com gestos intimistas ou numa grande apresentação de cunho teatral. Sua duração pode variar de alguns minutos a várias horas, acontecer apenas uma vez ou repetir-se em inúmeras ocasiões, realizando-se com ou sem um roteiro, improvisada na hora ou ensaiada durante meses. O precursor das performances no Brasil foi Flávio de Carvalho, que, em 1931, realizou sua “Experiência Número 2”, caminhando em meio a uma procissão de Corpus Christi, em sentido contrário ao do cortejo e vestindo um boné. ,
10. De difícil veiculação pela TV comercial, a videoarte tem sido divulgada pelo circuito tradicional das galerias e museus. Além dos pioneiros, Wolf Vostell e Nam June Paik, destacaram-se inicialmente as pesquisas de Peter Campus, John Sanborn, Gary Hill e Bill Viola. No Brasil, as primeiras experiências foram realizadas nos anos 1970 e apresentadas por artistas como Anabela Geiger, Sonia Andrade e José Roberto Aguilar. Cacilda Teixeira da Costa.

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Fonte: www.getty.edu/steinhardt.nyu.edu/www.conhecimentosgerais.com.br/www.rizoma.net