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quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

FESTA NO 11 DE AGOSTO

 


Agora não, antes, era a festa do ano da elite de Pedro II. Me lembro como hoje. Comecei foi cedo a engraxar os sapatos, engomar a camisa branca, passar o terno cinza e a gravata listrada. Tinha até um broche. À tarde coloquei sobre o encosto de uma cadeira para descansar, inclusive, as meias combinando. Não tinha cabide apropriado em casa. Tinha que ter cuidado, porque só não era alugado os sapatos, as meias e a camisa. Até a carteira com uns trocados, ficou sobre a calça.

Estava tudo impecável para o “de menor” ir à grande festa, não fosse por um pequeno deslize. Por volta das 17:00 horas chegaram amigos e me convidaram para ir à casa de outro, que estaria aniversariando. Eu nem lembrava. Fomos. Não era acostumado a beber, mas, fui induzido a experimentar um vinho. Ora, vinho não faz mal a ninguém, pensei. Faz até bem para o coração e os rins, se for tomado moderadamente. Provei e achei docinho, parecia q-suco de uva. Uma beleza! Empurrei o pé na jaca...

O certo é que fui convencido de que a banda principal, só chegaria ao clube após a meia noite, então, entrei no “vinho” foi com vontade, tomei gosto. Aliás, dava tempo tirar uma soneca antes da festa. Ora bolas!

Quando foi por volta das 20:00 Horas, foram me deixar em casa de Jeep, pois minhas pernas não obedeciam mais. Me excedi. Recomendaram que eu dormisse um pouco e, às “onze meia,” me pegariam pra irmos à festa.

Dormi como uma pedra. Acordei umas cinco horas da manhã, nem os galos cantavam mais. Meio zonzo, o mundo girando, com um gosto de zinco na boca, e sede, muita sede. Bebi água do filtro de barro; caminhava dentro de casa, ouvia vozes lá fora, gargalhadas intercaladas pelo tropel de cavalos e buzina de uns poucos carros que circulavam indo, ou vindo da feira.

Me espantei, quando me deparei com o terno mais dormido do que eu, debruçado sobre a cadeira, do jeitinho que deixei no dia anterior. Não tinha a quem culpar, a não ser eu mesmo. Meus amigos haviam passado no horário combinado; todos na casa, me chamaram, mas, eu não acordei.

Pela primeira vez, perdi a grande e tradicional festa do ano. Passei vinte anos sem tomar vinho, que por sinal, é uma excelente bebida. E até hoje, só tomo se não tiver outra bebida.

Tirando proveito do desastre, foi bom. Descobri que não seria Sommelier ou Enólogo.

Carlos Holanda  

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

A televisão na praça

 


Àquela época, notícia era boato, rede social era a calçada onde o povo sentava na porta para conversar. A maioria comprava um radinho a pilha para ouvir futebol e algum programa mais relevante. A energia chegou e logo os mais abastados compraram as TVs portáteis em preto e branco.

Anos se passaram e o prefeito anunciou uma “obra”, iria construir um pedestal na praça para colocar uma televisão de vinte polegadas. O povo ficou ansioso para assistir “Gerônimo, o herói do sertão”. Dito e feito. O prefeito era homem de palavra. O carro com aquelas amplificadoras enormes anunciava aos quatro ventos o evento. A televisão já amanheceu o dia dentro de uma grade de ferro, coberta com um pano branco e amarrada com uma fita vermelha para ser cortada e inaugurada pelo gestor. Foi uma festa com banda de música e tudo. Os discursos eram cansativos e de quebra cada um que falava rasgava seda puxando o saco do prefeito. E o povo? Aplaudia cada gesto, cada palavra. Estavam todos admirados com aquele monstrengo no meio da pracinha.

Pois pronto! Cortaram a bendita fita ao meio dia. Foi aplauso geral. Admiração. O que não previram foi que, uma TV em preto e branco, no meio do tempo a céu aberto, com sol a pino não mostraria os contrastes da imagem. Foi um deus nos acuda para explicar o funcionamento. E todos foram para casa desapontados, embora tenham sido avisados para virem assistir à boquinha da noite.

E à noite, a multidão de famílias e matutos das redondezas aglomerou-se na frente da TV, trouxeram até uns banquinhos com tampos de couro de bode para sentar. O funcionário público ligou a bicha, passou quase meia hora mexendo nos botões e a tela só mostrava aquele exame e uma chiadeira sem fim. Demorou, mas conseguiu sintonizar a novela da época. Clareou, escureceu e deixou no tom. Foi uma algazarra, gargalhadas e com olhos esbugalhados novamente uma chuva de aplausos. O prefeito enchia o peito orgulhoso, dava tapinhas nas costas dos eleitores, pegava nas mãos de uns e abraçava outros.

Um mês depois, o vigia da praça adoeceu e na calada da noite, de madrugadinha, surrupiaram o aparelho. De manhã cedo perceberam que a grade estava arrebentada e o lugar estava mais limpo do que os pratos da música.

Até hoje, nunca descobriam quem roubou. Acho até que o cabra que levou deve estar usando a caixa como depósito de farinha ou feijão.

Carlos Holanda

sábado, 12 de dezembro de 2020

Tiro ao alvo

 


Festa junina na Potycabana com apresentação de quadrilhas, forró, muita comida típica, caipirinhas, bingo, tiro na lata com bola de meia, laça dinheiro e tiro ao alvo. Foi nesse último que eu e a turminha paramos.
– Quanto é o tiro – perguntei.
– Três por dois reais – disse a moça.
– Pois me dê três pra começar. Não eram chumbinhos. As balas eram de cortiços, colocadas na ponta do cano da espingarda de ar comprimido para derrubar latas vazias de cerveja. Pois bem, peguei uma do cano meio folgado da coronha. Dei os três tiros e errei todos. A espingarda escangotava. Não desanimei. Olhei para o lado, o garoto acabara de sair e deixou uma espingarda mais nova, durinha, “oleada”. Senti o peso, mirei, armei, desarmei e disse – me dê aí dez reais de tiros. Foram quinze balas. Me ajeitei e fiz dos cotovelos o tripé sobre o balcão e “pei”. Lá vem a primeira Skol bem geladinha. Degustei a bichinha, coloquei a lata do lado e “pei”. Mais outra latinha. Cinco tiros foram cinco latas. Nós éramos seis. Aí eu “fresquei” com a dona – Falta derrubar mais uma. Ela sorriu e perguntou-me – o senhor é da polícia?
– Não senhora – respondi.
– Não errou um tiro com essa espingarda.
– Errei três com a outra.
– Aquela é velha. Essa aí é novinha em folha.
– Tudo novo é bom, nem importa a marca, não é?
– É – respondeu ela assim com cara de quem comeu e não gostou.
Do lado direito da barraca tinha um senhor vendendo espetinhos, assados sobre a brasa numa calha de caminhão. Olhei para ele, ele olhou para mim, e eu perguntei:
– O senhor já vendeu muitos espetos hoje?
– Já. Bastante!
– Beleza! O senhor bebe uma “Skolzinha”?
– Bebo.
– Vamos fazer um negócio?
– De que tipo?
– Eu derrubo uma lata e troco por um espeto com o senhor. Tá valendo?
– Na hora – disse. Para ele era até mais negócio. A latinha de cerveja gelada era em torno de R$ 2,50 e o espeto R$ 1,50. Olha aí quando é pra dar certo. Pois bem. Mirei e “pei”.
– Viu? Deu foi bom.
Dos quinze tiros, acertei doze. Ou seja, uma caixinha. Comemos e bebemos com dez reais.
No outro dia fui na mesma barraca, ciente que seria mão na roda. A mulher me reconheceu e disse:
– Você é aquele atirador de ontem, não é?
– Sou eu mesmo.
– Devia ter aproveitado mais.
– Por que?
– Por nada. Quer quantos tiros?
E eu com a garganta sequinha, salivando para tomar umas “desse preço”.
– Me dê dez reais de tiros para começar.
Dei quinze tiros e não acertei nenhum com a mesma espingarda do dia anterior. Quer saber o segredo? Eles trocaram os cortiços por uns mais leves que variavam. Parei ali. O cara do espeto ainda perguntou – como é, hoje não vamos fazer negócio? Me deu vontade de mandar ele se lascar, mas só saiu um sonoro “não”. Fui beber com a turma, pagando é claro.
Essa foi uma das vezes que a vaca não deu duas cuias de leite.


Carlos Holanda

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Mais dez curiosidades do Natal


– Natal é uma festa cristã, sendo encarado de forma diferente por outras religiões. Os hinduístas reconhecem Cristo como um avatar (encarnação de Vishnu, uma das principais entidades divinas). O dia 25 de dezembro é reservado à comemoração da Festa das Luzes  pois, neste dia, o nascimento da luz venceu a escuridão.
– Para os muçulmanos, Cristo é uma espécie de profeta, mas os fieis não possuem uma data especial para comemorar seu nascimento. As duas principais festas da religião são a Eid el-Fitr, celebração do desjejum realizada após o Ramadã, e o Eid el-Adha, que marca o encerramento da peregrinação a Meca.
– Os judeus não reconhecem Jesus Cristo como Filho de Deus e, portanto, não comemoram seu nascimento. No período do Natal, eles realizam o Chanuká, ou a Festa das Luzes. Ela relembra a reinauguração do Grande Templo de Jerusalém, reconquistado pelos judeus após 3 anos de guerras.
– Como entendem que festas de aniversário são um costume pagão, as Testemunhas de Jeová não fazem nenhuma comemoração no dia 25 de dezembro. Apesar de prestarem devoção a Cristo, eles preferem negligenciar a data.
– Em algumas religiões afro-brasileiras, como a Umbanda, existe um forte sincretismo religioso, que associa figuras cristãs às suas entidades, como o caso de São Jorge (Ogum). Esta religião associa Cristo a Oxalá, maior de todos os Orixás. No dia 25 de dezembro, os umbandistas agradecem à entidade.
– No Brasil, o Natal se manifesta de forma diferente nas várias regiões. No nordeste, nesta época, encena-se a Chegança, a luta entre cristãos e mouros que ocorria durante a Idade Média. Na Paraíba, a chegança recebeu o nome de “barca”.
– No nordeste também são encenados os Autos dos Quilombos. Com danças e cânticos, procura-se reconstituir os quilombos, núcleos povoados por escravos fugitivos no século XVII. São representadas duas guerrilhas: uma de índios, outra de negros aquilombados.
– No Pará, existe uma tradição chamada Círio de Nazaré, que consiste em uma procissão realizada no segundo domingo de outubro, na capital Belém, em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré. Os paraenses dão a ele uma importância equivalente à do Natal. Preparam ceia com pratos típicos e trocam presentes.
– Os fandangos são danças rurais regionais, divididas em dois grupos: as batidas, apresentadas só por homens sapateando forte; e as valsadas (ou bailadas), em que casais arrastam os pés no chão. São representados na época do Natal. No Sul e no Sudeste, recebe o nome de marujada.
– Durante a Folia de Reis, homens caracterizados de Reis Magos saem pelas ruas das cidades do interior de todo o país e param nas casas onde há presépios. Cantam, dançam e abençoam a família com uma bandeira que representa o anúncio do nascimento de Jesus.
Fonte: História Digital 

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Papai Noel



Uma das festividades mais comemoradas no mundo e uma das mais antigas é o Natal.

Vamos então conhecer algumas curiosidades que talvez você não saiba.

Um dos símbolos do Natal é sem dúvida o Papai Noel. Mas de onde surgiu esse bom velhinho que trás presentes?

Papai Noel é uma homenagem ao Bispo São Nicolau, um bispo católico que lá no século IV presenteava crianças pobres e por se inspirar no bispo, no começo, as roupas do Papai Noel eram marrom e verde. Ele só foi ficar todo vermelho em 1931. E quem deixou ele desse jeito, mais popular como a gente conhece foi a Coca-Cola, pois pra fazer uma campanha publicitária eles colocaram o Papai Noel com roupas vermelhas para retratar assim o produto deles e ficar conhecido em todo o mundo. Mas não foi a Coca-Cola a primeira a colocar roupas vermelhas no Papai Noel. A primeira vez foi em 1886, em uma obra feita pelo artista Thomas Nast, que saiu quase 50 anos antes que a propaganda da Coca-Cola.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Dicionário de símbolos - Aniversário


aniversário, do latim anniversarius, ou ano que retorna, dia em que vim à luz, é a data em que se comemora um ano mais de vida, desde o nascimento. A sua simbologia está associada com a luz e com o fogo, representando o renascimento. Em diferentes culturas o dia do aniversário de uma pessoa é comemorado de um modo diferente. No ocidente, por exemplo, é muito comum o costume de se apagar velas. A chama da vela representa a vida, ao apagar a vela de aniversário apaga-se simbolicamente o ano que passou, marcando o recomeço da vida.
Muito comum também nas comemorações de aniversário, o bolo teve origem na Grécia antiga e era oferecido a Artemis, deusa da fertilidade. O bolo de aniversário simboliza ainda que o aniversariante construiu em sua vida, e dividir o bolo entre os presente é a representação da partilha da sua vida com as pessoas que ama.
Em algumas culturas não se comemora o aniversário das pessoas individualmente, no dia em que elas nasceram, mas sim coletivamente no dia de ano novo.
O presente de aniversário no ocidente é uma tradição que surgiu a partir da mitologia cristã do nascimento de Jesus Cristo e da visita que recebe dos três reis magos, cada um lhe oferecendo um presente.

sábado, 8 de abril de 2017

Aniversário de 1 ano de Victor Holanda

          Quem é Victor Holanda? É a pessoinha mais importante na vida de um avô coruja, que não deixaria passar em branco sem essa singela homenagem de deixar gravada na história esse acontecimento singular. Feliz aniversário e que Deus o abençoe!












sábado, 31 de dezembro de 2016

GINA IV, A Caçadora - A Festa!

No interior contam muitos casos, muitas histórias, alguns viram lendas e fazem parte do folclore brasileiro. É um costume das pessoas de se entreter um pouco nas portas das casas a boquinha da noite.

João Lobo matou 12 bodes e deixou o mais gordo para assar nos espetos em frente a sua casa, os outros animais, vendeu no mercado, também matou umas leitoas e umas galinhas pra completar o cardápio. Desde que sua mulher faleceu que ele vive assim, meio desolado, e para compensar, junta os amigos vez ou outra em torno de um churrasco para aliviar sua dor. Convidou compadres e comadres para uma noite animada, afinal Deus lhes deu muitos recursos com o suor de seu rosto. Tem até uns amigos violeiros que são repentistas. A festa vara a noite e só termina quando o galo anuncia um novo dia.

- Já que estão todos aqui, não falta mais ninguém, sejam bem vindos! Comam e bebam à vontade meus amigos, compadres e comadres, meninos e meninas. Tem leitoa assada, tem bode assando e tem galinha ao molho! Ah! E tem uma cachacinha também, para os mais afoitos. Falou em alto e bom som o dono da casa. Nesse momento os repentistas dedilham suas violas e começam a cantar e versejar as agonias do sertão, as pegas de bois, os namoros escondidos, as paixões da vida. Tudo rimado em uma linguagem cordelista e arrastada do interior.


Seu Manoel, como é mais íntimo de João Lobo, puxa conversa.
- Compadre a festa tá animada. Vou até tomar uma talargada dessa branquinha de cana e tirar o gosto com a leitoa.
- Faça isso compadre! Essa é da boa e sai rasgando de goela abaixo. Tem um limão galego ali também. Espere aí, deixe-me pedir para o Júlio cuidar mais dos espetos de bode. Já volto.
- Vá. Quando voltar quero lhe contar uns boatos que andam falando na cidade.
Por incrível que pareça, tendo pinga e tira-gosto desse preço, repentista canta a noite toda.

Uma grande fogueira é mantida acesa com madeira verde. Dois lampiões a querosene também iluminam o local.

Gina e Rita confabulam do mesmo assunto. São como carne e unha, pra onde uma vai, a outra está do lado.

Júlio, apesar de ser o churrasqueiro, é um olho no bode e outro na moça; não tira os olhos de Rosa, uma galega bonita, torneada, afilhada de seu pai. E o mais importante, ela retribui e fica toda derretida quando ele leva um espeto de carne pra ela.
Dona Joana, esposa de seu Manoel, troca uns dedos de prosa com a mãe de Rosa. Jogam conversa fora - coisas do cotidiano.

Está as mil maravilhas a festa! Comes e bebes a vontade. A música troando e os homens bebericando a caninha da roça. Pedro do Bidoca, pai de Rosa é sanfoneiro arretado. Se duvidar toca igual ao Luiz Gonzaga, e está só esperando os violeiros fazerem uma pausa pra puxar o fole. Chico Pitomba é o zabumbeiro e Manoel Grilo, o triangueiro. Um trio de forró pé de serra pra ninguém botar defeito. A festa promete amanhecer o dia.

João Lobo, como bom anfitrião, aperta a mão de todo mundo, dá tapinha nas costas, fala com um e com outro e volta a conversar com Seu Manoel.

- Qual é o boato que comentam por aí na cidade, Compadre?
- Meu amigo, você sabe que o povo tem a língua maior que o corpo. Dizem que a polícia está investigando a morte de dois homens que foram mortos no Cassino do Chico Preá há alguns dias.
- Essa polícia daqui e bosta é a mesma coisa. Quantos crimes continuam impunes?
- Pois é compadre. E tem mais, por último, o mais recente, encontraram dois corpos boiando no riacho, lá perto do cabaré da Maria Preta.
- Vixe! E quem são esses desafortunados, que Deus os tenha?
- Compadre, ninguém sabe, ninguém viu de fato quem matou. E os bichos são tudo de fora, uma raça ruim, não sabe? Nenhum tem família por essas bandas. Tudo bandido.
- Deve ser tudo ladrão mesmo. Gente que presta não anda caçando confusão.
- É, compadre. O negócio é sério. Desculpe-me por estar falando disso num momento tão importante de festa na sua casa.
- Esquente a moringa não, compadre. Amigos são pra essas coisas. Pra alertar os acontecidos, quanto mais quando é bem próximo da gente. O que mais andam dizendo por lá?
- Tem uns comentários aí na boca do povo, que encontraram uma ossada dum homem na metade do caminho pra cidade. Na verdade, o corpo foi descoberto pelos cachorros, aí, a polícia veio no local e recolheu os restos mortais.
- Compadre eu vou lhe dizer, você está muito bem informado.
Pois é, eu de vez em quando, vou jogar baralho, tomar umas no bar e mercearia de Expedito e lá a gente fica sabendo das coisas. Tem um tal de Cabo Messias, que dá com a língua nos dentes. O homem sabe de tudo que acontece por aqui.
- O que mais ele contou?
- Que eu saiba, é que estão investigando. Mas, como ele mesmo diz, a delegacia tá falida, não tem dinheiro nem pra botar gasolina no fusca que é a única viatura que tem. O delegado mesmo tem uma preguiça danada, e além do mais só tem esse cabo e dois soldados lá. Assim fica difícil solucionar as coisas.
- É. Quer saber? Vamos aproveitar a festa. Chega dessa conversa. Até eu vou tomar uma lapada dessa branquinha. Vamos lá compadre, se anime!
- Vamos! Vamos sim!
Pedro Bidoca já está nos acordes e grita de lá:
- O tocador quer beber, minha gente! Mas antes de tudo, o tocador quer tocar! Vamos começar de “Asa Branca” em homenagem ao saudoso mestre Luiz Gonzaga.
- Arrocha sanfoneiro! Grita um.
- Arregaça zabumbeiro! Grita outro.

Enquanto isso, os repentistas se esbaldam enchendo o bucho de cachaça e carne assada. Uns mais afoitos, até tiram as mulheres pra dançar no terreiro de chão batido. A poeira e a fumaça, formam uma nuvem, o vento da meia noite dissipa em parte, mas alguns já estão animados demais para parar agora.

Chega um cavaleiro, desse da montaria e corre ligeiro para dar uma notícia a João Lobo.
- Seu João quero falar uma coisa séria com o Senhor.
- Pois fale meu filho! Deixe de agonia.
- Bom, é o seguinte...
- Cabra, tu está pra botar os bofes pra fora. Vai ali primeiro e bebe água.
- Não Seu João. Eu estou bem. O Senhor conheceu a Dona Maria Setembrina? Aquela velhinha que morava só, naquela choupana de palha?
- Sim, filho. Quem nessa região não conhecia Setembrina, a rezadeira e cartomante?
- Pois é. Ela só fez o bem a todos. Eu vinha duma festa e quando desci a ladeira avistei aquele clarão, quando vi, era a casa dela em chamas. E ela morreu queimada. Não teve como se salvar. Como aqui é a casa mais perto, corri pra cá.
- Ela pode ter deixado alguma vela acesa ou uma lamparina, sei lá. Não dá pra imaginar como isso aconteceu. Vamos lá só amanhã. A essa altura o fogo com esse vento já devorou tudo. Hoje é festa aqui. Vá se juntar ao povo e beba alguma coisa. Aí tem bastante comida, se tiver com fome.
- Beber não quero, mas vou comer.
- Vai! Vai, fique a vontade!

Os cachorros nesse momento brigam ferozmente, rasgando um braço humano. Júlio grita para parar a festa.

- Pai, o que está acontecendo hoje? Parem de tocar. Tomem aquilo dos cachorros, é um pedaço de gente.
- O que diabo é isso, meu Deus? Só pode ser coisa do demônio. Fala uma senhorinha pra outra.
- Mulher, tá aí que nunca vi uma coisa dessas acontecer aqui, e olha que faz anos que Seu João faz festa.
- Chega! Por hoje chega. Já passa da meia noite umas duas horas. Isso nunca aconteceu. Vamos parar por aqui. Sei que vocês todos irão entender. Amanhã vamos tentar encontrar respostas.
- Isso é um horror! Nunca em minha vida tinha visto tal coisa. Fala a galega Rosa.

Depois de muita conversa e contornada a situação, alguns ainda ficam, dormirão no alpendre, outros se despedem e vão para suas casas.
Rita havia tido o consentimento dos pais para dormir na casa da amiga e por isso podiam conversar o resto da noite.

- Gina, desde que cheguei que você foge da conversa. Já passei tempo demais lá fora. Comi tanto que estou empanturrada. Você não deu o ar de sua graça lá fora. Agora que está só a gente aqui, me conta o que aprontou mais cedo.
- Nada. Não fiz nada.
- Olha! Eu te conheço não é de hoje. Você tem que pelo menos saber disfarçar. E conta logo que já tá é pra amanhecer o dia.
- Você não tem jeito mesmo. Vou te contar. Matei outro homem hoje. Um bandido mesquinho. Eu nem fui atrás. Só fiquei indignada com a covardia daquele monstro.
- Vixe! Como foi isso? Desembucha aí, amiga.
- Rita, cada dia que passa, sinto que minha alma não terá salvação. Estou ficando louca, eu acho. Não consigo ter pena desses malfeitores, além do mais, se eles forem presos, amanhã estarão soltos cometendo os mesmos crimes. Por isso, é melhor eliminá-los.
- Deixa de me enrolar e conta o que aconteceu.
- Tá bom. Seguinte: O sol nem tinha se posto ainda quando saí procurando umas madeirinhas linheiras pra fazer minhas flechas. Eu queria fazer uma demonstração na festa.
- Eita! O povo iria gostar demais.
- Pois é. Mas aconteceu o pior.
- O que foi que aconteceu? Conta!
- Se você deixar, eu conto. Eu já tinha andado por aí tudo. Passei bem perto da casa de Setembrina e vi que tinha um homem indo no rumo de lá, então, resolvi me esconder e fiquei observando de longe.
- Setembrina é uma bruxa?
- Não é não. Ela bota cartas, lê a mão, faz benzeduras nas pessoas com a arca caída, essas coisas, assim como os ciganos fazem.
- Ah! Entendi. Pois continua.
- Sim, aí o homem entrou na casa dela e...
- Minha “irmã” estou ansiosa!
- Pois bem, demorou pouco, ouvi os gritos dela e nas pontas dos pés olhei de perto, pela janela. O caboclo já estava enforcando a velhinha.
- E o que você fez?
- Bom, eu ouvi ele dizer: - Velha maldita! Mando você ler minha mão e você me diz que vou morrer hoje. Você é quem vai morrer, e ainda vou tocar fogo nessa joça. Fiquei indignada com aquilo, mas o que me deixou revoltada foi ouvir da boca dele dizer que já tinha estuprado meninas novas, brancas, negras e já carregava nas costas sete crimes, um a mais, um a menos não ia fazer diferença. Sufocou a coitada até morrer, e depois ateou fogo na casa.
- Ave Maria! Que monstro!
- Pois é. Então corri pra frente da casa, me posicionei em frente, e esperei ele sair. Atirei nos peitos dele por duas vezes.  Até hoje ele deve tá queimando no fogo do inferno.
- Mulher tua consciência tá tranquila?
- Sei lá, às vezes tenho pesadelos. Mas é o tipo da coisa, posso me arrepender mais tarde e pedir perdão.
- Minha boca é um túmulo.
- Espero que seja, Rita!

A verdade é que ninguém faz nada escondido, e, não existe crime perfeito.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

VIVA A EMOÇÃO DO NATAL

Alguns comerciais veiculados na TV começam ou terminam com as frases: “Essa é a MAGIA do Natal”, ou “Viva a MAGIA do Natal”, embora os VT’s sejam produzidos por grandes agências para grandes empresas, já estão cansativos. Economicamente são apelos que funcionam, salvos pelos efeitos especiais, imagens FANTÁSTICAS de GNOMOS, RENAS voadoras, bonecos do NOEL e seres de outra dimensão, alusivos a outras culturas não CRISTÃS.


MAGIA segundo os dicionários é a arte, ciência ou prática baseada na crença de ser possível influenciar o curso dos acontecimentos e produzir efeitos não naturais, valendo-se da intervenção de seres fantásticos e da manipulação de algum princípio oculto supostamente presente na natureza, seja por meio de fórmulas rituais ou de ações simbólicas. Diz também que é forte atração; fascínio, feitiço, magnetismo; “doutrina dos magos, feitiçaria', pelo lat. magīa,ae 'culto e invocação de poderes mágicos”.
Isso não é propaganda subliminar. É estratégia de marketing institucional usado na publicidade para vender a imagem da empresa ou simplesmente para alavancar as vendas dos produtos, dissociando o real sentido da palavra NATAL que significa NASCER, simbolizando a festa maior do nascimento de CRISTO.
Final de ano o que conta são os sentimentos de fraternidade e de confraternização, mesmo sabendo que nem todo o planeta está em festa. Um brinde a todos!
Carlos Holanda