quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Marcas da violência



Hoje ela passa as tardes de todos os dias e vai até à boquinha da noite sentada numa cadeira de rodas na porta de sua casa. Ela sorri, gesticula, acena com a mão direita e dá a entender que está tudo bem. Dá boa tarde para Deus e mundo e é grata por estar viva.

Antes, da última vez que estava lá, sentada, na sombra, olhando e cumprimentando quem por ali passava, o bandido veio para assalta-la e atirou em suas costas, deixando-a paralítica.

Carlos Holanda

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

A LISTA DO CORVO por Carlos Holanda


           

            Os corvos fazem parte de muitos mitos.


            Desde o Tibete até a Grécia, as pessoas acreditavam que os corvos eram mensageiros dos deuses. Durante as batalhas, as deusas celtas se transformavam em corvos.  Já Odin, o deus da mitologia nórdica, tinha dois corvos – Hugin (pensamento) e Munin (memória) –, que voavam ao redor do mundo durante o dia e, à noite, contavam ao deus tudo o que tinham visto.

            Os chineses diziam que os corvos traziam um clima ruim para as florestas para avisar às pessoas de que os deuses passariam por ali. E algumas tribos nativas da América adoravam o corvo como uma deidade, além de o descreverem como um “pregador de peças” que estaria envolvido na criação do mundo.

            Elias é um empresário bem sucedido, dono de um patrimônio milionário, apesar de ser uma riqueza suspeita.

– Juliana! Venha aqui, por favor! – berra o chefe pelo interfone para a secretária, e enquanto ela entra aflita, pois já sabe do temperamento dele, o homem continua a falar austeramente – quero saber como em uma sala fechada, climatizada, com segurança e tudo mais, veio parar em cima da minha mesa a porra de uma pena preta?
– Não, não sei chefe! Desculpe-me – gagueja a moça.
– Quem mais entrou nesta sala hoje?
– Só o Senhor e mais ninguém. Ontem o Senhor teve uma reunião com nove pessoas, lembra?
– Sim, claro! Chame o segurança. Já!
– Sim, Senhor! Deve ser só uma brincadeira de um dos seus sócios.
– Brincadeira é? Isso aqui virou um poleiro agora?
– Não quis dizer isso.
– Saia e faça o que mandei.
            Os dois seguranças entram na sala e prostram-se à frente do homem.
– Há quantos anos vocês trabalham aqui?
– Há pelo menos dez anos, chefe! – responde um dos homens.
– Agora, digam-me! Eu tenho cara de quem cria urubus?
– Claro que não, chefe! – responde o outro segurança sem entender nada.
– Pois me expliquem como a porra dessa pena preta veio parar justamente em cima da minha mesa.
– Deixe-me ver. Não é uma pena de urubu. É de corvo.
– E como você sabe disso, você o viu entrar aqui?
– Não Senhor! Mas já fui caçador algum tempo, antes de vir para cá. Reconheço uma pena de corvo em qualquer lugar do mundo.
– Ok! Então investiguem isso e deem-me uma resposta o mais rápido possível. Agora saiam!

            Longe dali, garotos de um bairro da periferia jogam futebol numa quadra inacabada. Ao redor, grades comidas pela ferrugem e portões que rangem, denunciam o abandono do lugar pelo poder público.

– E aí molecada, como vocês estão? – indaga Dick quase gritando.
                                                                                                                                             Os garotos com fome de bola olham e acenam fazendo  gestos de que está tudo bem.
– Olá Valdick! Tudo bem com você? – pergunta o pai de um dos meninos.
– Estou bem, quero dizer, mais ou menos. Arranjei um novo emprego. E você, como vai?

– Bem do jeito que deus quer. Continua treinando artes marciais?
– Sim. Claro! Estou intensificando mais. Ah, eu trouxe uma bola novinha em folha pra eles!
– Que beleza! A deles já está toda cheia de remendos. Ei, ei meninos, venham aqui. Olha o que o Dick trouxe para vocês – o homem joga a bola no meio da quadra. A garotada faz a festa e grita “valeu Dick”. Depois de receber os agradecimentos e alguns abraços, o rapaz cumprimenta o velho amigo e vai embora.
– Até mais, Rubem. Amanhã a gente se vê.
– Até mais, Dick.
            Na boate de Lennon, sócio de Elias, um motoqueiro anônimo entrega ao porteiro uma caixa pequena embrulhada em papel de presente.
– O que é isso? – indaga o brutamonte vestido de terno preto, segurança do local.
– É um presente para o Senhor Lennon.
– Quem mandou?
– O nome está dentro da caixa. Entregue a ele.
– E quem é você?
– Só um entregador – o homem acelera a moto e some.
Continua...


sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Jesus não foi o único a voltar dos mortos


veja outros 10 relatos bíblicos sobre ressurreição

Para os cristãos, Jesus ressuscitou três dias depois de morrer. Mas a Bíblia traz relatos de outros casos de ressurreições. Há controvérsias entre as diferentes correntes religiosas, mas muitos grupos concordam que, além de Jesus, há pelo menos mais 10 passagens bíblicas que fazem esse tipo de relato.
Essa interpretação não é unânime. Alguns cristãos só consideram ressurreição os relatos depois da vinda de Jesus, excluindo os casos do Antigo Testamento. Há correntes que acreditam em reencarnação como uma forma de ressurreição e que todos nós reencarnamos. Então, os casos de ressurreição seriam muitos. Há outros grupos que creem apenas na ressurreição de Jesus Cristo
Confira abaixo alguns trechos da Bíblia:  
1) O filho da viúva de Sarepta através de Elias (1 Reis 17.17-24)“E o Senhor ouviu a voz de Elias; e a alma do menino tornou a entrar nele, e reviveu”.
2) O filho da mulher Sunamita mediante Eliseu (2 Reis 4.32-37)
“Depois desceu, e andou naquela casa de uma parte para a outra, e tornou a subir, e se estendeu sobre ele, então o menino espirrou sete vezes, e abriu os olhos”.
3) O homem que foi encostado nos ossos de Eliseu (2 Reis 13.20-21)
“Depois morreu Eliseu, e o sepultaram. Ora, as tropas dos moabitas invadiram a terra à entrada do ano. E sucedeu que, enterrando eles um homem, eis que viram uma tropa, e lançaram o homem na sepultura de Eliseu; e, caindo nela o homem, e tocando os ossos de Eliseu, reviveu, e se levantou sobre os seus pés”. 
4) Moisés através de Cristo (Judas 1:9)
“Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda.”
 5) O filho da viúva de Naim por Jesus (Lucas 7.11-15)"E, chegando-se, tocou o esquife (e os que o levavam pararam), e disse: 'Jovem, a ti te digo: Levanta-te'. E o que fora defunto assentou-se, e começou a falar.”
6) A filha de Jairo por Jesus (Lucas 8.41-42; 49-55)
“E, tomando a mão da menina, disse-lhe: 'Talita cumi; que, traduzido, é: Menina, a ti te digo, levanta-te'. E logo a menina se levantou, e andava, pois já tinha doze anos; e assombraram-se com grande espanto.”
7) Lázaro (João 11.1-44)
“E, tendo dito isto, clamou com grande voz: Lázaro, sai para fora. E o defunto saiu, tendo as mãos e os pés ligados com faixas, e o seu rosto envolto num lenço. Disse-lhes Jesus: 'Desligai-o, e deixai-o ir'." 
8) Muitos santos que haviam morrido, depois da morte de Jesus (Mateus 27.52)
"E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados; e, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos.” 
9) A ressurreição de Jesus (Mateus 28.1-8)“Mas o anjo, respondendo, disse às mulheres: Não tenhais medo; pois eu sei que buscais a Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como havia dito. Vinde, vede o lugar onde o Senhor jazia.”
10) Tabita (Atos 9.36-43)
“Mas Pedro, fazendo sair a todos, pôs-se de joelhos e orou: e, voltando-se para o corpo, disse: 'Tabita, levanta-te'. E ela abriu os olhos, e, vendo a Pedro, assentou-se.”
11) Êutico (Atos (20.9-10)
“E, estando um certo jovem, por nome Êutico, assentado numa janela, caiu do terceiro andar, tomado de um sono profundo que lhe sobreveio durante o extenso discurso de Paulo; e foi levantado morto. Paulo, porém, descendo, inclinou-se sobre ele e, abraçando-o, disse: Não vos perturbeis, que a sua alma nele está”. 


O menino com os três pássaros


George Thomas, um pastor inglês, chegou um dia na igreja carregando uma gaiola. Cuidadosamente, colocou-a no púlpito, e começou a falar:
“Estava andando pela rua ontem, e vi um menino levando essa gaiola com três passarinhos, tremendo de frio e medo. Eu perguntei:
— O que você vai fazer com eles?
Ao que ele respondeu:
— Ah! vou me divertir com eles. Vou levá-los para casa e tirar suas penas para fazê-los brigarem! Vou me divertir muito!
— Mas você vai logo se cansar deles… o que você vai fazer? — questionei.
— Oh, eu tenho alguns gatos,” respondeu o menino. “Eles gostam de passarinhos.
Estupefato, ainda pude perguntar:
— Quanto você quer por esse passarinho?
— Ah…O senhor não vai querê-los… Eles não servem para nada! Eles não cantam. Nem são bonitos!
Sendo muito insistente, consegui dissuadir o menino de seu intento e comprei os passarinhos por dez dólares. E já de posse dos pobres pássaros, libertei-os tão logo o menino deu-me as costas…”
Bem, isso explica a gaiola vazia sobre o púlpito, e depois o pastor continuou contando sua história.
“Um dia, Jesus Cristo e Satanás estavam conversando, e Jesus perguntou o que ele estava fazendo para as pessoas aqui na terra. O diabo respondeu:
— Estou me divertindo com elas! Ensino-as a fazer bombas e a matar, a usar armas, a odiar umas às outras, a casar e divorciar, ensino-as a abusar de criancinhas, ensino os jovens a usar drogas, a beber e fazer tudo o que não se deve! Realmente… Estou me divertindo muito!
Jesus perguntou:
— E depois, o que você vai fazer?
Em resposta, o diabo feriu os ouvidos de Jesus Cristo, dizendo:
— Vou matá-las e acabar com elas!
Jesus perguntou:
— Quanto você quer por eles?
Em deboche, gargalhando, o diabo respondeu:
— Ah…Você não vai querer essas pessoas… Elas são traiçoeiras, mentirosas, falsas, egoístas e avarentas! Elas não vão te amar de verdade, vão bater e cuspir no Teu rosto, vão Te desprezar e nem vão levar em consideração o que você fizer!
Impolutamente, e resoluto, Jesus Cristo, com uma voz cheia de certeza, ainda perguntou:
— Quanto você quer por elas, Satanás?
O diabo, enfurecido, com chispas de ódio em seus olhos respondeu:
— Quero toda a Tua lágrima e todo o Teu sangue!
Jesus bravamente, com sua voz esplendorosa, respondeu:
–Trato feito!
E, dessa forma, Jesus pagou o preço da nossa liberdade!”