sexta-feira, 26 de agosto de 2016

L.A.N.Ç.A.M.E.N.T.O!

 Poster com #ARTESDIHOLANDA Coleção com 100 posteres diferentes - com 100 unidades de cada, autenticadas, numeradas e autografadas.
Pedidos: diholanda44@gmail.com


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Frase de Carlos Holanda


quarta-feira, 4 de maio de 2016

A violência vem de moto, a palavra também.

As pessoas andam assustadas e desconfiadas até da sombra. Quando ouvem o barulho de moto, já arregalam os olhos pra prestar atenção e se preparam para o pior. Não que quem ande de moto tenha culpa, ou seja bandido. Toda regra tem exceção.
Outro dia, o cidadão chegando em casa, num carro semi-novo, à boquinha da noite, enquanto abria o portão, foi surpreendido por dois motoqueiros. Um de cada lado. Foi tudo tão rápido, que ele nem percebeu de onde vinham. Não deu tempo nem de se benzer. O medo gelou-lhe a espinha. E ele pensou que daquela noite não passaria. Pronto. Vão levar o carro. Concluiu, já que morava em um bairro perigoso e violento. Imaginou mil coisas.
Os motoqueiros desceram das motos, cada um com uma bíblia na mão.
Eram dois pastores, pregando a palavra de Deus.
Carlos Holanda

APARÊNCIAS

Um homem alto, de idade média, branco, de olhos azuis, bem vestido, colar de ouro, relógio de ouro, celular top de linha, estaciona a camionete cabine dupla, na frente do barzinho chic, daqueles bem arquitetados e rústico, próximo a uma faculdade. Senta-se e pede um drink. Logo, chama a atenção das garotas.
Elas se entreolham, não veem aliança na mão esquerda e pensam: ora, deve ser um bon vivant, um bom partido. É então que a loira comenta com a colega que vai arriscar, aventurar. Dito e feito.
Sem delongas, e, pouco tempo depois, ambos estão entre beijos e abraços dentro do carro. Então, ele a convida para terminar a noite em sua mansão, faz algumas promessas e ela acredita. Claro. Como não aceitar tanta mordomia? E vão. Os dois fazem a festa na suíte principal da casa. Bebidas caras, caviar, chocolates e fantasias sexuais, pra variar...
De manhã, muito cedo, um dia antes do combinado para voltar, o patrão chega de viagem com a esposa e filhos. Percebendo a patifaria que seu motorista e caseiro fez em sua residência, principalmente em seu quarto, demite-o por justa causa e o coloca no olho da rua, só com a roupa do corpo. Quanto a loira...ah, essa é uma outra história.
Carlos Holanda

quarta-feira, 27 de abril de 2016

COMO ACREDITAR?

Vivemos perplexos com tantas atrocidades. A gente nem chora mais o leite derramado. As vacas magras em consequência da seca já não tem leite pra derramar. Mas essas vacas, são dos fazendeiros e dos pequenos agricultores que ninguém liga. Eles sofrem com o descaso. Quem no poder público, ocupando cargos de alto escalão vai ligar para o homem do campo nesse momento? O que importa isso? O que importa o leite das crianças, se o que mais querem é o poder pelo poder?
Este ano foi embora agora, deixando marcas, cicatrizes, grandes feridas, que não saram jamais.
Pobres coitados perambulam pelo campo, tentando o acalanto com uma vontade imensa de acreditar nesses hipócritas que serão reeleitos fazendo promessas, criando expectativas, e votam. Votam pela cisterna prometida, pelo dinheiro aceito pra votar no dia da eleição distribuído pelo cabo eleitoral que faz boca de urna. Votam acreditando que dias melhores virão. Ilusão.
As mentiras se repetem com impostação de voz nos palanques, na TV e na internet; a retórica, as imagens políticas e os conteúdos são a missão das agências, que tem um objetivo: eleger o candidato, independente de quem seja prejudicado, massacrado.
O planejamento pra eleger o corrupto existe. Só o povo que não tem onde mamar, porque não planeja nada, aceita todo tipo de resultado.
Como acreditar nos planos maquiavélicos e descarados de políticos sem crédito?
Carlos Holanda

O comício

Júlia candidatou-se a vereadora. Todos sabem que campanhas políticas nas cidades do interior são acirradas, e ela estava disposta a ganhar essa eleição. Claro que a mulher preparou-se para ir ao grande comício. Foi ao cabeleireiro, planejou um belo discurso e até comprou um vestido.
O evento já havia começado. O palco, ou melhor, o palanque, era um caminhão, com uma escada de madeira na lateral.
A praça estava lotada. Todos os candidatos, assessores, seguranças, apresentador e puxa-sacos, inclusive o majoritário, estavam lá em cima.
Comício no interior tem cachaça de graça, consequentemente muitos bêbados.
Júlia, por mais que tenha feito, chegou atrasada e tentou subir a bendita escada. Quase no quarto degrau, o sobe e desce, empurra-empurra e a multidão a impedia de chegar lá. Ela se vira, olha para baixo e percebe o homem que lhe dizia:
- Vereadora, vereadora, mas que belo discurso a senhora fez! Gostei de ver! Aplaudi de pé. Eu e meus amigos... ic!
Júlia era marinheira de primeira viagem. Desceu, agradeceu ao homem bêbado e foi embora. Deixou sua retórica para outro dia.

Carlos Holanda