terça-feira, 6 de dezembro de 2016

A lenda do Caipora

Origem da lenda do Caipora, personagem do folclore brasileiro, lenda, surgimento

Montado em um porco selvagem, o caipora anda nu pela floresta e domina todos os animais.

De acordo com a lenda, ele ataca os caçadores que não cumprem os acordos de caça feitos com ele. Assim como o Curupira, de quem possui um parentesco, sua missão é proteger os animais da floresta.


Forma de agir 

De acordo com a lenda, o Caipora é o terror dos caçadores que caçam além das necessidades.

O Caipora usa todos seus conhecimentos sobre a vida na floresta para fazer armadilhas para os caçadores, destruir suas armas e bater nos cães de caça. O caipora assusta os caçadores, reproduzindo sons da floresta, além de modificar os caminhos e rastros para fazer com que os caçadores se percam na floresta.

Ainda diz a lenda que aos domingos, sextas-feiras e dias santos o Caipora age com mais força e de maneira mais intensa.

Uma forma de escapar da ação do Caipora é oferecer-lhe fumo de corda e outros presentes, que devem ser deixados próximos ao tronco de uma árvore, de preferência numa quinta-feira. Mesmo assim, não é garantia de que o Caipora não irá agir, pois dizem que ele pode ser traiçoeiro.
  1. Caipora
    1. 1.
      entidade fantástica da mitologia tupi, muito difundida na crença popular, talvez derivada da crença no curupira, do qual seria uma variante, e que é associada às matas e florestas e aos animais de caça, dele se dizendo que aterroriza as pessoas e é capaz de trazer má sorte e mesmo causar a morte; caapora.
    2. 2.
      adjetivo e substantivo de dois gêneros Bfig.
      diz-se de ou pessoa que, involuntariamente e apenas por sua presença ou proximidade, traz ou causa azar a outra.
    3. 3.
      adjetivo e substantivo de dois gênerosBfig.
      diz-se de ou pessoa azarada, infeliz, que nunca, ou dificilmente, tem sucesso naquilo que faz.
    4. 4.
      substantivo femininoBfig.
      má sorte, azar, infelicidade; caiporismo, caiporice.


A Lenda do Boto Cor de Rosa

De acordo com a lenda, um boto cor-de-rosa sai dos rios amazônicos nas noites de festa junina. Com um poder especial, consegue se transformar num lindo, alto e forte jovem vestido com roupa social branca. Ele usa um chapéu branco para encobrir o rosto e disfarçar o nariz grande. Vai a festas e bailes noturnos em busca de jovens mulheres bonitas. Com seu jeito galanteador e falante, o boto aproxima-se das jovens desacompanhadas, seduzindo-as. Logo após, consegue convencer as mulheres para um passeio no fundo do rio, local onde costuma engravidá-las. Na manhã seguinte volta a se transformar no boto. 


O boto cor-de-rosa é considerado amigo dos pescadores da região amazônica. De acordo com a lenda, ele ajuda os pescadores durante a pesca, além de conduzir em segurança as canoas durante tempestades. O boto também ajuda a salvar pessoas que estão se afogando, tirando-as do rio.

Cultura popular:

- Na cultura popular, a lenda do boto era usada para justificar a ocorrência de uma gravidez fora do casamento.

- Ainda nos dias atuais, principalmente na região amazônica, costuma-se dizer que uma criança é filha do boto, quando não se sabe quem é o pai.

No cinema

- A lenda do boto foi transformada num filme em 1987. Com o título de Ele, o boto, o filme tem no elenco Carlos Alberto Riccelli, Cássia Kiss e Ney Latorraca. A direção é de Walter Lima Junior.

A lenda do Boitatá

Lenda da região Nordeste

Diz a lenda que, há muito tempo, uma noite se prorrogou muito, parecendo que nunca mais haveria luz do dia. Era uma noite muito escura, sem estrelas, sem vento, e sem barulho algum dos bichos da floresta, era um grande silêncio. Os homens viveram dentro de casa e estavam passando fome e frio. Não havia como cortar lenha para os braseiros que mantinham as pessoas aquecidas, nem como caçar naquela escuridão. Era uma noite sem fim. Os dias foram passando e a chuva começou, esta chuva inundou tudo e muitos animais acabaram morrendo.


Uma grande cobra que vivia em repouso num imenso tronco despertou faminta e começou a comer os olhos de animais mortos que brilhavam, boiando nas águas. Alguns dizem que eles brilhavam devido a luz do último dia em que os animais viram o sol. De tantos olhos brilhantes que a cobra comeu, ela ficou brilhante como fogo e transparente. A cobra se transformou num monstro brilhante, o Boitatá. 

Dizem que o Boitatá assusta as pessoas quando elas entram na mata à noite. Mas muitos acreditam que o Boitatá protege as matas contra incêndios.

Acredita-se que este mito seja de origem indígena e um dos primeiros do folclore brasileiro.

A lenda do Bicho-papão

Lenda da região Nordeste

O bicho-papão é uma figura fictícia mundialmente conhecida. É uma das maneiras mais tradicionais que os pais ou responsáveis utilizam para colocar medo em uma criança, no sentido de associar esse monstro fictício à contradição ou desobediência da criança em relação à ordem ou conselho do adulto. 


Desde a época das Cruzadas, a imagem de um ser assustador já era utilizada para gerar medo nas crianças. Os muçulmanos projetavam esta figura no rei Ricardo, Coração de Leão, afirmando que caso as crianças não se comportassem da forma esperada, seriam levadas escravas pelo melek-ric (bicho-papão): “Porta-te bem senão o melek-ric vem buscar-te”. 

A imagem do bicho-papão possui variações de acordo com a região. Segundo a tradição popular, o bicho-papão se esconde no quarto das crianças mal educadas, nos armários, nas gavetas e debaixo da cama para assustá-las no meio da noite. Outro tipo de bicho-papão surge nas noites sem luar e coloca as crianças mentirosas em um saco pra fazer sabão. Quando uma criança faz algo errado, ela deve pedir desculpas, caso contrário, segundo a lenda, receberá uma visita do bicho-papão.

A Lenda do AÇAÍ

Lenda da região Nordeste

Conta a Lenda que há muito tempo, quando ainda não existia a cidade de Belém, vivia neste local uma tribo indígena muito grande. Como os alimentos eram insuficientes, tornava-se muito difícil conseguir comida para todos os índios da tribo. Então o cacique Itaki tomou uma decisão muito cruel. Resolveu que a partir daquele dia todas as crianças que nascessem seriam sacrificadas para evitar o aumento populacional de sua tribo. Até que um dia a filha do cacique, chamada Iaçã, deu à luz a uma bonita menina, que também teve de ser sacrificada. Iaçã ficou desesperada, chorava todas as noites de saudades de sua filhinha. Ficou por vários dias enclausurada em sua tenda e pediu à Tupã que mostrasse ao seu pai outra maneira de ajudar seu povo, sem o sacrifício das crianças. 
Certa noite de luar, Iaçã ouviu um choro de criança. Aproximou-se da porta de sua oca e viu sua linda filhinha sorridente, ao pé de uma palmeira. Inicialmente ficou parada, mas logo depois, lançou-se em direção à filha, abraçando - a . Porém misteriosamente sua filha desapareceu. Iaçã, inconsolável, chorou muito até desfalecer. No dia seguinte seu corpo foi encontrado abraçado ao tronco da palmeira, porém no rosto trazia ainda um sorriso de felicidade e seus olhos negros fitavam o alto da palmeira, que estava carregada de frutinhos escuros. Itaki então mandou que apanhassem os frutos, deles foi obtido um suco avermelhado que batizou de AÇAÍ, em homenagem a sua filha (Iaçã invertido). Alimentou seu povo e, a partir deste dia, suspendeu sua ordem de sacrificar as crianças.

Lendas do Piauí e do Brasil

O livro de Carlos Holanda "Lendas do Piauí e do Brasil" será lançado em 2017. São 120 páginas bem ilustradas. Aguarde mais informações.


O Menino de Ouro

Numa cidade do Piauí, morava um menino benquisto por todos, porém, ele tinha um problema de anemia, e, por esse motivo os amigos do colégio o chamavam de amarelinho ou “menino de ouro”, um apelido carinhoso por ser legal com todos, mas a verdade é que isso era uma forma disfarçada de builling, uma descriminalização pela cor dos que não sabiam da doença.
O menino gostava de contar piadas e a maioria levava na brincadeira tudo que ele dizia.


Certa vez, a turma da escola, foi banhar nas águas do rio Parnaíba e, em dado momento, Amarelinho gritou por socorro, dizia estar se afogando, mas ninguém acreditou, pensava tratar-se de mais uma brincadeira, só que as correntezas do rio eram muito fortes e o levaram.
Contam que, onde há crianças banhando em rios e riachos, lá o menino de ouro estará para salvá-las de afogamento, e que, quem for salvo por ele o desencantará, ficando muito rico.


Carlos Holanda

sábado, 3 de dezembro de 2016

GINA II, a caçadora - O Roubo

Júlio avisa ao pai e à irmã que irá a cidade tirar uma parte das economias no banco para comprar umas roupas e sapatos pra eles.

Arreia o cavalo alazão, que naturalmente é muito bem cuidado e parte.
Gina cuida de seus afazeres enquanto seu pai espicha uns couros de bode pra secar ao sol e vender mais tarde.

Rita pede aos seus pais pra ir fazer uma visita na casa de Gina. Seu Manoel diz que a deixará lá. Sela o burro preto e vai.

- Minha filha eu te levo! Vou ter dois dedos de prosa com o compadre! Faz é tempo que não converso com ele. Se arrume aí, ligeiro.
- Ôxe, pai! Tô arrumada, visse? Nós não vamos pra festa não.
- Então vamos! Maria, eu não me demoro.
- Tá bom, meu velho. Vai com Deus!

Seu Manoel monta e coloca a garota na garupa forrada com uma manta bem macia e partem para a casa de Regina.


Júlio cavalga pela estradinha de terra empoeirada e já avista a torre da igreja. Ajusta o chapéu de couro na cabeça, bate com a chibata no animal de forma leve, atiça as esporas e avança cada vez mais. Entra na rua principal da cidadela e logo passa no meio daquela feira que tem de um tudo pra vender, desde os tecidos de algodão ou chita, até canecos e panelas de alumínio. Seu sonho é comprar um rádio pra ouvir as notícias e as músicas sertanejas das duplas de sucesso. E pensa que se o dinheiro der, ele até leva um desses pra casa.

Na frente do único banco da cidade, amarra o cavalo. Não percebe que sempre tem olhos curiosos só observando quem entra ou sai do estabelecimento bancário.
Saca uma quantia vultosa, o bancário lhe oferece um envelope e o previne de que ultimamente a cidade tá infestada de gente ruim. Ele não liga muito para o aviso, apenas sorri, como quem diz: Eu sei me defender. Acena com a cabeça confirmando, agradece e vai embora.

Pareceu que foi uma praga rogada pelo caixa. Antes de montar seu cavalo, dois homens desconhecidos, mas com fama no mundo do crime o espreitavam de canto de olho, então o escoram com facas e o conduzem para uma ruela deserta. Batem muito nele. Deixam-no desacordado e levam todo seu dinheiro. Foi tudo tão rápido e profissional que nenhum transeunte viu ou percebeu nada.

- Vamos mata-lo?
- Não. Deixa aí...

Enquanto isso, a prosa rolava solta na casa de Regina. As duas meninas botavam o papo em dia enquanto seus pais reclamavam da situação na região. E já perto de meio dia, Regina grita lá de dentro:
- Ei pai, o Senhor não acha que o Júlio tá demorando. Já tinha dado tempo de ter voltado.
- É filha, tinha sim, mas lá tem uma fila enorme. Além do mais, ele vai comprar umas coisas. Deve ser isso a demora.
- É compadre! Não deve ser nada. Diz Seu Manoel.
- Pois eu acho que se fosse eu, já tinha feito isso e algo mais.
- Calma minha irmã! Você é muito preocupada com o Júlio.
- Rum! Não é teu irmão.
Correm à porta e veem que vem um cavaleiro entre a poeira do caminho.
- Pai, aquele é o Júlio! E ele não está bem.
- Acode aqui meu pai. Fui roubado na cidade. Ajudem-me. Estou todo quebrado.
- Meu Deus! O que aconteceu, Júlio? O que fizeram com você?
O pai, Seu Manoel e Rita o ajudam a levar pra dentro de casa.
- Vou fazer umas compressas! Coloquem-no na cama. Já eu trago os panos quentes.
Meia hora depois, Júlio conta o acontecido e enquanto todos ouvem, Gina ouve atentamente e escapole. Monta o cavalo ainda molhado de suor e parte em busca de mais esclarecimentos na cidade, mesmo sem o consentimento do pai.
- Ela é assim mesmo. Não obedece ninguém, nem eu, Seu Manoel.
- Deus a traga, sã e salva, compadre!


Gina leva suas facas, amoladas na pedra bruta. Chicoteia o animal pra chegar mais rápido. Além de ser decidida, não costuma perder tempo com nada. E em se tratando de sua família é capaz de tudo, pois sabe que ali não tem lei, e se tem é pouco cumprida.  Tem a certeza também que nesse exato momento os facínoras estão em algum boteco gastando por conta, já que a impunidade reina.

Gina conhece cada rua daquela cidadezinha, mas prefere começar a pedir informações pelo banco. Por sorte, encontra o mesmo caixa ainda no serviço e este lhes dá os traços de alguns suspeitos que rondam o banco diariamente e avisa que são forasteiros perigosos, bandidos e, que sempre estão pelas redondezas. Gina agradece e sai.
Dá umas voltas nos principais bares e cabarés. Depois de quase três horas de buscas, só falta um lugar: o cassino. Um lugar não muito aconselhável para garotas da sua idade, mas ela não veio de tão longe àtoa. E decide fazer essa última visita. Entra, corre o olhar no ambiente e vê que de todas as mesas ocupadas, só uma tinha dois homens com a descrição feita pelo bancário e o irmão. Como a animação estava boa demais, eles nem perceberam que eram observados minuciosamente por Gina, que os media de cima abaixo.

Uma negra nova, torneada, num local como aquele era uma raridade. Gina aproxima-se da mesa e observa detalhadamente. Pede pra fazer parte da brincadeira e é muito bem aceita. Pronto. Estava armada sua arapuca. Apesar de não beber, Gina consegue convencer a dupla de facínoras e os conduz ao quarto, pedindo que um deles vá pagar pela chave, enquanto disfarça com o segundo.

Se não quer ser pinido, então não cometa um crime e não caia nas mãos de Gina.


Gina usa um argumento de mentira e os convence de que fará tudo que eles quiserem, se eles a deixar amarrá-los na cama. Há relutância, mas como não ceder aos caprichos de uma bela menina com aquela idade? Que maldade poderia haver por trás daquele rostinho angelical? Nada de ruim poderia acontecer naquele momento, até porque a proposta era que eles pagassem pelo prazer e como o dinheiro não fala, apenas houve e testemunha o que acontece nada poderia dar errado, mas isso não conta.

Pronto! Os dois estão seminus e bem amarrados à cama. Gina tira seu casaco e ensaia uma pequena sessão de stripper misturada com ironia, coisa que nunca havia feito antes e tampouco levava jeito. Com a frieza do gelo, veio à sua memória, o estado lastimável do irmão quando chegou em casa, todo arrebentado. Colocou o casaco em cima de um criado mudo de quinta categoria, assim como era aquele lugar fétido e começou sua entrevista:
- Vocês não sabem quem sou não é mesmo?
- Não! Me fala aí!
- É. Fala pra gente belezura! E tira logo a porra dessa roupa. Disse o outro.
- Pois bem! Sou a irmã do cara que vocês quase mataram para roubar. E vim aqui para dar uma lição em vocês!
- Vagabunda! Você não sairá viva daqui. Quem você pensa que é?
- Por que é que tenho a impressão que já ouvi coisa parecida antes?
- Sua vaca! Pode levar o dinheiro. Tá tudo aí, nem pagamos a conta ainda.
- Nem vão pagar!

Gina ameaça cortar a garganta de um e diz que eles terão que sumir da cidade sob pena de serem mortos.

- Socorro! Socorro! Você é maluca! Não faz isso!
- Não. Não sou maluca. Já sei tudo sobre vocês e sou muito lúcida. Aliás, quantos pais de família vocês já roubaram nessa cidade e deram dinheiro à polícia para acobertar seus crimes? E olha, nem adianta mentir ou gritar, com a música dessa altura na vitrola e essa porta fechada ninguém vai te ouvir. Já termino com isso.
- Vá pro inferno, sua maldita!
- Vai você! Não vou cometer esse crime de tirar suas vidas hoje, mas se não forem embora, vou caça-los até a morte.

Nocauteia os dois e sai.

- É como eu digo sempre: - Quando entrar numa briga, temos que saber usar as armas certas.

Gina pega todo o dinheiro de volta, que por sinal ainda está no envelope do banco, dentro do alforge de seu irmão. Sai pelos fundos sem que ninguém a veja e ruma para casa.

A vida ensina que o poder de tomar uma decisão arriscada não é pra todo mundo. O amanhã sempre virá, mas se deixarmos tudo para lá, pode ser tarde.


O mundo gira, e é por isso que ninguém estará no mesmo lugar amanhã.

Carlos Holanda

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Provérbio - V

V
Vale mais prevenir que remediar
Vale mais pão duro que figo maduro
Vem a ventura a quem procura.
Vingar é lamber frio o que outro cozinhou quente demais.
Vintém poupado, vintém ganho.
Viúva rica com um olho chora, com o outro repenica.
Vão-se os anéis, fiquem os dedos.
Vão-se os gatos, folgam os ratos.
Vê quem pisas na subida, porque irás encontrá-los na descida.
Vê-se pela aragem quem vai na carruagem