quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Provérbios - A

A
A César o que é de César, a Deus o que é de Deus.
A amar e a rezar ninguém se pode obrigar.
A bom entendedor meia palavra basta.
A bom gato, bom rato.
A cavalo dado não se olham os dentes.
A concha é que sabe o calor da panela.
A corda sempre arrebenta pelo lado mais fraco.
A grandes males, grandes remédios.
A justiça tarda, mas não falta.
A lua não fica cheia em um dia.
A melhor espiga é para o pior porco.
A mentira tem pernas curtas.
A morte não espera.
A mulher e a pescada querem-se das mais gradas.
A mulher e a sardinha querem-se das mais pequeninas.
A mulher é como o pão, está sempre a olhar para a mão.
A má erva depressa nasce e tarde envelhece.
A necessidade ensina a lebre a correr.
A necessidade faz a lei.
A noite é boa conselheira.
A ocasião faz o ladrão.
A palavra é prata, o silêncio é ouro.
A palavras loucas orelhas moucas
A palavras loucas, orelhas moucas.
A perna não faz o que o joelho quer.
A pior roda é a que mais chia.


A pressa é inimiga da perfeição.
A primeira pancada é que mata a cobra.
A quem Deus não deu filhos, deu o diabo sobrinhos.
A ruim capelão, mau sacristão.
A santo que não conheço, não rezo nem ofereço.
A união faz a força.
A velho recém-casado, reza-lhe por finado.
Albarda-se o burro à vontade do dono.
Além ou aquém, sempre vejas com quem.
Amarra-se burro à vontade do dono.
Amigo disfarçado, inimigo dobrado.
Amigos, amigos; negócios, à parte.
Amizade remendada, café requentado.
Amor com amor se paga.
Amor e dinheiro não querem parceiro.
Amor é a gente querendo achar o que é da gente.
Amor é sede depois de se ter bebido.
Anda em capa de letrado muito asno disfarçado.
Antes calar que mal falar.
Antes causar inveja que dó.
Antes fanhoso que sem nariz.
Antes perder a lã que a ovelha.
Antes só do que mal acompanhado.
Antes tarde do que nunca.
Ao menino e aos borracho põe sempre eus a mão por baixo.
Ao rico não faltes, ao pobre não prometas
Apos a desgraça (tempestade) vem a bonança
Aqui se faz, aqui se paga.
As paredes têm ouvidos.
As rosas caem os espinhos ficam
Asno que a Roma vá, asno volta de lá.
Atrás de quem corre não falta valente.
Azeite, vinho e amigo: melhor o antigo.
À noite todos gatos são pardos.
Água e conselho só se dão a quem pede.
Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
Águas passadas não movem moinhos.

Origem das frases VII

Façam o que eu digo, não o que eu faço


Um dos mais antigos registros desta frase encontra-se no Evangelho de São Mateus, capítulo 23, versículo 3, porém com pequena variação: “Façam tudo o que eles dizem, mas não façam o que eles fazem, porque eles dizem o que se deve fazer, mas não fazem”. Antes deste registro, no entanto, quando ainda não existiam frades nem santos, o comediógrafo e poeta romano Plauto (254-184 a.C.), a quem foi atribuída a autoria de 130 peças de teatro, aconselhou na terceira cena do terceiro ato de sua peça Asinária: “Pratica aquilo que pregas”.

Carlos Holanda


Origem das frases VI

Falai baixo se falais de amor


A frase é um conselho do célebre dramaturgo e poeta inglês William Shakespeare (1564-1616) que se casou aos 19 anos, abandonou o lar e passou a dedicar-se ao teatro. Alguns dizem que ele nunca existiu, sendo uma invenção histórica sobre a qual muitos estão de acordo. A existência de sua obra, porém, é fácil de ser comprovada em muitos lugares do mundo, em diversas línguas e em vários palcos onde vem sendo encenada há quatro séculos. Suas peças apresentam uma variedade impressionante de personagens e temas, com destaque para o amor e a política, quase sempre entrelaçados.

Carlos Holanda


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Origem das frases V

Um é pouco, dois é bom, três é demais


Esta frase foi popularizada em famosa canção de Heckel Tavares (1896-1969), intitulada Casa de Caboclo. Os versos dizem: “Numa casa de caboclo, um é pouco, dois é bom, três é demais”. Autor de cerca de 100 canções, o compositor soube como poucos conciliar o erudito e o popular, tendo obtido reconhecimento de crítica e público – no Brasil raramente combinados – por seus trabalhos musicais. Mas o sentido da frase, não sua forma, tem raízes bem mais antigas. Tanto a Bíblia como o Talmude advertem que três pessoas constituem um grupo grande demais para discutir assuntos íntimos. E um provérbio inglês declara que três são multidão – “three is a crowd”. Também na Itália e em Portugal circulam frases com sentido semelhante.

Carlos Holanda


Origem das frases IV

É um pé-rapado


No Brasil colonial, pés-rapados eram os trabalhadores que produziam riquezas na lavoura e nas minas. Com seu trabalho, o rei português dom João V (1689-1750) enchia as burras monárquicas de ouro e diamantes vindos do Brasil. Gastou fortunas em doações a ordens religiosas e foi gigantesco o esbanjamento que garantiu a vida luxuosa da corte, a ponto de o seu reino tornar-se a maior nação importadora européia. Mas erigiu também museus, hospitais e Casa da Moeda, além de providenciar a canalização do rio Tejo. Tudo pago pelos pés-rapados brasileiros.

Carlos Holanda


Origem das frases III

“Os acionistas são ovelhas ou tigres”


Esta frase foi dita pelo lendário banqueiro israelense Mayer Amschel Rothschild (1744-1812), fundador da casa de crédito que levaria seu nome. A família obteve muita fortuna especialmente com o financiamento de guerras europeias. No fim do século 19, liderava o ranking dos bancos. Distinguiu-se também na política, tendo vários membros barões do poderoso império austríaco. Um de seus descendentes foi o primeiro judeu no Parlamento Britânico. A frase indica o comportamento dos acionistas diante de operações que dão lucro ou prejuízo. 

Carlos Holanda


Origem das frases II

“Se a montanha não vem a Maomé, Maomé vai à montanha”


Esta frase foi originalmente dita pelo fundador do Islamismo, o profeta Maomé (570-632). Significa preferir o simples ao complicado. O profeta refletiu por quinze anos sobre o projeto de organizar todos os árabes sob leis rígidas, que combinassem religião política e moral. A frase foi pronunciada quando ele tentava converter alguns árabes que o desafiaram a mover o monte Safa (na Arábia Saudita) para perto de si. Maomé tentou e , não conseguindo, foi até o monte, acrescentando ter sido graça de Deus não ter conseguido o milagre, pois, quando se movesse, a montanha mataria a todos ali reunidos. 

Carlos Holanda




Origem das frases I

“Entrar com o pé direito”


Esta frase revela uma superstição que o império romano espalhou. Nas festas da Roma antiga, os convidados tinham de entrar nos salões dextro pede (com o pé direito) para evitar mau agouro. Personalidades brasileiras seguiram esta recomendação, entre elas o intelectual baiano Rui Barbosa (1849-1923), que a registrou em discurso às vésperas da posse de marechal Hermes da Fonseca (1855-1923), presidente do Brasil de 1910 a 1914: “Que o novo presidente entre com o pé direito”. Mas ninguém acatou mais a superstição do que Alberto Santos Dumont (1873-1932). Ele mandou construir em sua casa escadas pelas quais só era possível subir ou descer iniciando-se o percurso com o pé direito.

Carlos Holanda


terça-feira, 29 de novembro de 2016

GINA, a caçadora – INÍCIO

O cenário nordestino no interior em determinadas épocas do ano é desolador. O que se vê são cactos e arbustos mais resistentes ao tempo. O gado não tem o que pastar. A seca chega a atingir milhares de famílias e o que tem de bonito na imensidão de montanhas é posto no horizonte pela obra de Deus: o por do sol.

                                                          Arte de Carlos Holanda
Todos os dias o galo que ainda resta na casa de Regina anuncia um novo amanhecer cheio de esperanças. E isso é o que o homem do campo tanto almeja, que São Pedro mande chuva para aquelas terras áridas de barro vermelho, pois é de lá que é tirado o seu sustento e os dos bichos.

Gina, como é mais conhecida no povoado, mora com seu pai desde que sua mãe faleceu. Negra, 18 anos, tem personalidade forte, geniosa e decidida, sonha com dias melhores. Seu irmão mais velho mora na capital. O outro, o do meio, ajuda o pai na lavoura e nos afazeres da pequena propriedade e assim, vivem enfrentando o pão que o diabo amassou nesse confim de mundo, nas brenhas.

Júlio, seu irmão do meio, acostumado a viver no mato, não teve estudos, nunca esteve numa sala de aula, mas em compensação ensinou sua irmã a caçar, atirar com arco e flechas, feitos artesanalmente com mufumbo, madeira inquebrável boa para produzir um bom arco. Aprendeu quando mais jovem, a atirar facas com seu pai, que o ensinou quando passou um determinado tempo trabalhando em um circo na cidade grande e assim, os dois vivem nesse mundão de meu Deus, aprendendo com a natureza a lei do mais forte. Vez ou outra, ele treina com sua irmã lutas corporais e diz que ela tem que aprender a se defender sozinha...

Numa dessas segundas-feiras, de manhã bem cedo, Rita de 16 anos, segue a passos largos rumo à escolinha do povoado. É um longo percurso. Sozinha e confiante ela segue, pois sua família pobre sabe que o único caminho para sua integridade e sucesso é o saber.

Rita e Regina são amigas desde muito novas e moram a poucos quilômetros uma da outra e sempre se encontram no meio do caminho pra chegarem juntas à casa do saber, mas nesse dia, ela, por algum motivo, não veio. Rita não esperou.

Em determinado ponto do caminho, um homem começa a seguir seus passos, esperando o momento certo para atacá-la. Ele estreita a distância e a pega pelos cabelos. Maltrata, bate e a estupra no matagal cinzento. Não havia como se defender, diante de tamanha violência. Após o ato bestial, ele promete voltar e se ela contar pra alguém, ele a matará. Deixa-a, desfalecida, e vai embora, após satisfazer seus instintos selvagens.



Quando já passava do meio dia, Rita, triste, frustrada, chorosa e sem entender quase nada do que realmente havia acontecido, e ainda com hematomas por todo rosto, retorna à sua casa. Não teria coragem de contar para seus pais, poderia até apanhar, tanto era a ignorância àquela época. Disse apenas que caiu e bateu com a cabeça. A família não engoliu a mentira contada, mas, aceitou por algum tempo. A criança chorou baixinho, a noite toda. Soluçou muito, sentindo as dores de não poder contar a ninguém.

Terça-feira bem cedo, vai ao encontro da amiga Regina, no local combinado de todos os dias, no meio do caminho. Dessa vez Regina já estava lá esperando. Após um longo silêncio Gina percebe que não está tudo bem e pergunta:
- Rita eu te conheço. Sei que você não está nada bem. O que aconteceu?
- Gina, eu estou bem.
- Não! Não, tá! Conta logo. Seu pai lhe bateu de novo?
- Não!
- Então me conta. Senão vai dar meio dia e gente não sai daqui.
- Olha, vou te contar, mas você vai jurar pela alma da sua mãe que não vai contar pra ninguém. Nem para seu irmão nem para seu pai. Jura?
- Juro! Conte minha amiga. Pode confiar em mim. Sou sua única melhor amiga.
Rita com lágrimas nos olhos, narra todo o acontecido e é ouvida atentamente pela amiga que lhe promete que isso não ficará assim.
- Jurei não contar pra ninguém e você vai jurar que não contará o que vou fazer. Vou tomar umas providências. Vamos embora. Você vai passar o resto do dia lá em casa. Vou pedir meu irmão pra avisar seus pais que você vai dormir lá em casa e só voltará amanhã, depois da aula. Tá bom?
- Tá!

E assim fazem.

- Rita, me diz uma coisa, ele deixou claro quando voltaria a atacar?
- Mulher, não. Pode ser amanhã, como pode ser daqui a uma semana. Ele me ameaçou de morte, caso alguém mais saiba dessa história.
- Temos que bolar um plano. Ali é nosso caminho da escola.
- Gina, nem sei como te agradecer. Também não sei fazer nada.
- Amanhã como todos os outros dias, daqui pra frente sairemos juntas.

Segue-se uma semana normalmente, de idas e vindas. De casa pra escola e vice versa.

Um mês depois...

Uma bela segunda-feira ensolarada como sempre, Gina resolve esperar a amiga um pouco mais cedo. As mulheres tem um Q de sexto sentido.

- Oi amiga! Vamos?
- Não! Sabe Rita, hoje acordei com um mau presságio. Quero que você vá em frente. Eu te sigo à distância.
- Oh! Mas, você é besta! Deixa disso, vamos!
- Faça o que eu estou dizendo. Esse cara te atacou há exatamente um mês. Como ele viu que não deu em nada, pode ser hoje. Vai. Vai.
- Tá bom. Eu vou! Mas você me deixou com medo agora.
- Vai. Deixa de conversa.
- Tá!

Gina, como quem caça, sabe muito bem onde pisa pra não espantar a caça. Segue a amiga por dentro do mato, sempre muito atenta.

Rita, trêmula, com as palavras da amiga anda a passos largos, com olhos arregalados e com medo até da sombra. O trauma não havia passado. É aterrorizante enfrentar a mesma situação duas vezes. São cicatrizes que não saram, pois não ficam na pele.
Gina sabe que está na briga certa e sabe usar as armas.

É um longo caminho até a escola sem uma vivente alma pra dar notícia de nada.
De repente, Rita é surpreendida pelo mesmo homem que sarcasticamente lhe pergunta:
- Já está saradinha pra outra boneca? E enquanto fala, tapa sua boca com uma das mãos e a arrasta pra dentro do mato. Dessa vez ele veio com uma corda. A amarra. Rasga suas roupas e fica fazendo cenas eróticas com uma faca em torno de seu rosto, de seu pescoço.

- Você é uma vagabunda! Sei que você não contou a ninguém por que gostou, e vai gostar mais hoje. Vou fazer isso para seu bem. Vou te contar uma coisinha, vadia. Eu cavei sua sepultura logo ali na frente. Não sou louco de te deixar viver dessa vez. Tá me entendendo?

Nesse momento, acreditando estar só com a menina, rasga suas roupas e deixa-a completamente nua. Prepara-se para se deitar sobre ela e quando vai iniciar o coito, de tão sádico que é não percebe que a menos de cinco metros Gina está lhe apontando uma flecha, com o arco bem rígido.

- Ei! Olha pra mim! Levanta! Quero acertar teu coração, se é que ele existe aí dentro!
- Mas de onde diabos tu saiu, menina? Vai cuidar da sua vida ou vou ter que te matar também.
- Chega de conversa!
A flecha corta o ar e atinge o peito esquerdo do homem. Não existe arma mais sutil e versátil quanto o arco e a flecha. Não precisa de silenciador como as armas de fogo. Uma só flechada é mortal, quando atirada por quem sabe.
O corpo grande cai sem vida sobre a garota. Gina a desamarra e o arrasta com ajuda de sua amiga para a cova feita por ele mesmo. Enterram-no e prometem o mais absoluto sigilo sobre esse caso.
- Vamos embora Rita.
- Vamos! Mas quero que você me diga como sabia que ele viria hoje.
- Vou te contar depois. Vamos sair daqui, agora.
- Mas Gina...
- Sem mais. Juro que não queria fazer isso, mas não tinha outro jeito. Vamos?

- Vamos!

Carlos Holanda

Nossas Lendas: A PORCA JAÚ

A Porca Jaú
Na década de 30 estava em alta uma marchinha de carnaval denominada "Jaú", que passou a ser interpretada como sinônimo de demônio, no município de Picos. Então a fama de que Jaú fosse o diabo se espalhou.
O Padre entrou no mérito da questão e proibiu que fosse cantada a marchinha. Pregava que aquela cantiga estava amaldiçoada por Deus e pela Virgem Maria. Ninguém devia cantá-la sob pena de ser castigado.
E o tal castigo não tardou. Os moradores encontravam na madrugada uma porca grande, horrivelmente magra e feia, toda desengonçada, dançando em pé, rodando como pião, fazendo gestos libidinosos, mandando beijos para as pessoas cantando assim:
JAÚ tem três irmãs,
todas três sem casar,
uma prenha, outra parida
e outra dando de mamar.
A bisavó de JAÚ
não presta pra nada, não,
porém, vive amigada
com o velho Cramulhão.
Eles dois dentro da rede
é um chafurdo do diacho,
e a gente fica sem saber
quem tá por cima ou por baixo.