quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Para que servem os cupins?

 


Os cupins, assim como outros invertebrados serviam como fonte de alimento para os ameríndios e para os nativos das Américas.

Todo artista tem apreço e amor por sua obra e eu não sou diferente. O fato de ter uma variedade grande de telas de todos os tamanhos deixa-me sem espaço em casa. As paredes estão lotadas. Outras estão embaladas, mas algumas estão amontoadas, e entre elas, encontrei duas com cupins. Os bichinhos malditos comeram por dentro a madeira e chegaram à lona das telas. Fiquei triste. Como há males que vem para o bem, talvez seja um sinal para dedetizar a casa, o teto. Melhor prevenir.

Esse tipo de inseto é uma praga altamente perigosa, e pode ser encontrada num único hectare de floresta tropical ou de savana, mais do que em toda a América do Norte e Europa juntas.

Cupins podem chegar facilmente ao nono andar de um prédio em pouquíssimo tempo.

Aqui em Teresina, por exemplo, o teto da Igreja São Benedito despencou em função da infestação de cupins.

Indígenas do noroeste amazônico incluíam em suas dietas os cupins que desempenhavam o papel de sal, uma vez que apresentavam sabor salgado. Os índios Desâna e outras etnias, das margens do rio Uaupés e seus afluentes, coletavam os insetos enfiando um funil feito de folha de bananeira-brava no orifício do cupinzeiro.

Muito apreciados eram os cupins amarelos que eram comidos vivos ou assados após saírem dos buracos em dias de chuva. Outro tipo, sem asas, era ingerido de maneira semelhante. Os índios Enawenê-nawê, do Mato Grosso, consumiam o cupins subterrâneos após colocá-lo em recipiente com água e depois, removia-os e os aqueciam levemente sobre um prato de cerâmica levado ao fogo.

De duas uma, ou eles comem as telas ou viro índio e como eles.


Carlos Holanda

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Miopia

 


Governo federal zera tarifas de revólveres e pistolas - para importação - em meio a uma pandemia. Isso por si só já constitui um crime, quando a preocupação maior seria o plano de aprovação e distribuição da vacina para que o comércio volte a funcionar normalmente e para dar estabilidade à economia. Essa é mais uma cortina de fumaça que 'ele' coloca em discussão pedindo também a deliberação de publicidade de armas em TV's e na Internet.
É uma medida que, de forma alguma beneficia o povo. Os pobres em sua grande maioria não tem dinheiro sequer para comer. É a inflação que dita as regras nesse momento. As pessoas de baixa renda estão lutando a qualquer custo para alimentar suas famílias. Não estão preocupadas com armas.
Quais são as classes beneficiadas? Os ricos, facções criminosas e milicianos. Porquê? Por que tem dinheiro em espécie para comprar. Os milhões de brasileiros que recebem bolsa família, ou, receberam auxílio emergencial não tem condições de aprovar um cadastro para comprar armas parceladas em uma loja especializada.
O Brasil tem outras prioridades urgentes que a miopia do governo não consegue enxergar, ou finge não ver.
Carlos Holanda

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Disciplina

 


A disciplina é um dos pilares mais importantes na formação do caráter em qualquer sociedade desse planeta, tanto é que, “A Arte da Guerra” de Sun Tzu, um dos livros mais editados no mundo, só se comparando em tiragem com a Bíblia, logo no início, nos dá uma grande lição nesse sentido...

O escotismo, movimento criado por Robert Baden Powell, também é um grande exemplo para crianças e jovens, assim como as artes marciais.

Vivemos desprotegidos pelo sistema em várias partes desse país e sempre colocamos a culpa no governo. Sei que esse é um tema complexo, mas estou expondo aqui minha opinião por que acho que nossos netos e outras crianças estão correndo risco de ficarem alienadas, uma vez que estamos todos conectados em tempos digitais, não estamos muito preocupados em ensiná-los a ter contato com a natureza, ensiná-los a acampar e ter contato com a fauna e a flora para melhor compreender as formas de vida na terra e brincar fora do computador ou do tablete.

Cedo ou tarde as crianças do futuro irão conhecer o planeta terra somente através de fotos e vídeos.

Não são só os pobres que fazem parte da base da pirâmide, os alienados também, pois logo serão controlados por só conhecerem dados e informações disponibilizadas em bancos e arquivos de grandes empresas.

Estamos numa época de transformações por bits, bytes, nanotecnologias e quem sabe até, mais tarde, possamos nos teletransportarmos; mas o contato com bichos, plantas e principalmente com seres humanos os tornará mais vivos e sensíveis desde que haja disciplina.

Nada nunca será mais importante que o contato pessoal, aliás, quando foi a última vez que você fez um piquenique com a família?


Carlos Holanda

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

O Beijo

 


Há mais de 40.000 anos em São Raimundo Nonato, num sítio arqueológico, uma inscrição rupestre - talvez a única do mundo - ficou registrada e denominada “o beijo”. Prova de que os trogloditas não eram tão brutos assim, amavam e eram românticos à sua maneira.

Na história da humanidade, especificamente no cristianismo, também há um beijo famoso, dado quando Judas traiu Jesus por 30 moedas.

O beijo é uma das maiores expressões de amor que o ser humano conhece.

Em artes visuais, um casal, coberto pelo manto dourado do amor, define assim o sentimento no quadro O BEIJO que Gustavo Klimt pintou entre 1907 e 1908.

Paixão, movimento e entrega total emanam de uma das mais famosas esculturas de Auguste Rodin, O beijo.

O beijo é uma demonstração de afeto entre as pessoas e existem diversos tipos de beijos. O beijo na orelha, por exemplo, é mais dado entre casais, mas também existe o beijo no nariz, no olho, no queixo, na testa e muitos outros.

O beijo é o termômetro de uma relação. Fiz até um poema para finalizar:
“Beijar-te
e fazer filosofia
Com tua língua;
Doce idioma
sem palavras.”

Carlos Holanda

Pintura rupestre do "Beijo" no Boqueirão da Pedra Furada; Parque Nacional da Serra da Capivara, PI; Foto: Palê Zuppani

domingo, 6 de dezembro de 2020

Opinião: Assunto de estado.

 


Não sei como dorme um político que se aproveita do erário, da merenda escolar, da verba da educação, da saúde e de tantos outros benefícios que o povo poderia ter. Talvez inebriado pelo poder e por saber que existe uma lei que o impede de ser preso chamada imunidade parlamentar.

Alguns desses senhores, enriquecem ilicitamente usufruindo dos recursos públicos indevidamente e, tendo participação direta ou indireta, cometem crimes que, por assim dizer, são crimes de morte. E, sobre outras circunstâncias, podem ser considerados genocidas, psicopatas, seriais killers, uma vez que fecham os olhos para tantos problemas por falta de estruturas sociais, não por falta de verbas. Por conta disso, dessas malversadas atitudes, há até casos de morte no país.

Posar de diplomata num estado pobre (ou rico), utilizando-se do poder público em causa própria também é crime.

Blindados em seus gabinetes, onde o povo não tem vez, usam uma máscara de dia e outra à noite, e isso não é de forma alguma discriminação, é a realidade.

Tem uns que fazem a “coisa” tão bem feita que nem a justiça percebe ou finge que não vê, pois tem o artifício de criar “laranjas” com CNPJ para lavar o dinheiro. Isso também não é novidade, visto que é noticiado constantemente em redes sociais e cotidianamente na imprensa.

O dinheiro não fala, ele insulta. Com esse vil metal, o "homem" despe-se de sua consciência, de seu caráter e consegue dormir satisfazendo seu ego e suas fantasias, porque a fome de poder sem se importar em quem irá doer, protegido pela lei é mais forte.

A Justiça está cega e talvez seja por isso que todos os cafajestes durmam bem, até o nosso hino conspira a favor:
“...Deitado eternamente em berço esplêndido
Ao som do mar e à luz do céu profundo
Fulguras, ó Brasil, florão da América
Iluminado ao sol do Novo Mundo!...”


Carlos Holanda

Felicidade

 


Um homem muito rico e sério vivia num corre-corre sem fim. Reuniões importantes, viagens de negócios, visitas às empresas do grupo e papelada para assinar todos os dias.

Sua secretária, que pouco sabia de sua vida particular, acompanhava todas as negociações e agendava tudo.

Certa vez, entrou sem bater na sala e, para sua surpresa, encontrou o empresário a soluçar, chorando muito, então, tentando entender o que se passava indagou sobre o acontecido e o que poderia fazer.

A resposta não era tão simples assim. Para quem com tanto dinheiro, não podia comprar a felicidade. Seu filho, o primogênito, era cego, surdo e mudo.

Dinheiro proporciona momentos felizes mas não compra felicidade.


Por Carlos Holanda

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

A tela

 


Um retângulo preto com um pequeno círculo vermelho um pouco acima do meio do lado e mais à esquerda é o que todos vemos obviamente. Mas o que é isso? Não tem sequer um vulto, uma silhueta, nada. Apenas duas cores nessa composição sem profundidade ou perspectiva. Também não tem textura e nem marcas de pincel.

É uma tela pintada à óleo, um abstrato, que desafia a sua curiosidade em decifrar o que o artista quer transmitir, e é por isso que muitas vezes as pessoas ficam horas a fio com a mente aguçada imaginando coisas sobre determinadas obras.

De beleza plástica singular, com esse fundo preto e apenas um pingo de tinta vermelha a obra está pronta, concluída, esperando por uma resposta sua como quem diz: leia-me. Decifre-me. Eu sou um enigma. Mas você como a maioria dos mortais pensaria: Eu, sinceramente, não colocaria essa coisa na minha parede. Isso é obra para museu.

Pois é, quem iria imaginar que o artista quer mostrar um personagem do folclore brasileiro, que também ninguém vê mas faz parte do imaginário? – Leitura: É um Saci Pererê que sai altas horas na escuridão da noite dando umas pitadas em seu cachimbo? Vendo de longe, poderia também ser um Preto Velho fumando charuto no meio da escuridão.
Mas alguém disse – Não vejo nada nessa obra, a não ser esse fundo preto e um minúsculo círculo vermelho, que não significa nada.

Nem todos os olhos estão treinados para observar a arte que os desafia a desvendá-la.


Carlos Holanda

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

O tesouro de Cristina

 


Os pais de Cristina eram arqueólogos e se conheceram em um sítio arqueológico. Numa dessas pesquisas em busca de relíquias encontraram um baú que mais parecia uma tumba e deram um jeito de leva-lo para casa. Algum tempo depois, levaram-no para uma cabana de sua propriedade afastada da cidade.

O destino é cruel em certos casos. O casal morreu em um acidente de carro quando iam voltar para casa e foram sepultados no terreiro da cabana. Provavelmente uma maldição os engoliu. Não tiveram tempo de abrir a grande caixa de madeira envelhecida pelo tempo.

Um ano depois, Cristina manda celebrar uma missa para seus pais e logo após, decide ir até a cabana para acender umas velas em sua intenção. A moça não sabia da existência do baú. Era um segredo absoluto mantido pelos pais, mas, curiosa, ela resolve dar uma olhada em tudo quanto é objeto mantido ali.

No canto empoeirado, coberto com lona e cercado por teias de aranhas está o enorme baú. Cristina consegue abri-lo, e dentro encontra uma maleta folheada a ouro.

– Meu Deus! É um tesouro! – exclama a moça. E com muito trabalho, usando alicate, martelo e uma pequena alavanca consegue abrir. Para sua surpresa, uma cortina de fumaça esverdeada toma conta do ambiente e logo uma voz rouca sussurra – Venha! Estava esperando por você para me libertar em seu corpo.

Cristina foi sugada para dentro da caixa de ouro, e assim, esperará alguns anos para ser libertada também.


Carlos Holanda

Barril de pólvora

 


Como disse o presidente: “temos pólvora”. Temos sim. Temos barris de pólvora em cada capital da nação. Estamos sentados bem em cima. E pelo visto, as fagulhas estão explodindo um atrás do outro; como pavios de dinamite, uns com estopim maior e outros com estopim menor.

 

O governo completa mais de 700 dias no poder, comemora e sem trabalhar, faz campanha visando o pleito de 2022.

 

Diante de uma pandemia, o ministério da saúde vem a público em vídeo dizer que a população tem que se precaver, consultar os médicos nos postos de saúde e tomar o medicamento – cloroquina – para se prevenir contra a Covid 19 nas festas de final de ano e Réveillon. Não faz menção ao uso de máscaras e nem ao distanciamento social. A fala por si só já configura crime, uma vez que não há comprovação científica do medicamento.

 

O Brasil nesse momento é um grande barril de pólvora. Haja vista que houve um apagão em um dos menores estados do país e ainda está sem solução. E o que o governo diz? ‘Que poderá sim, haver mais apagão em todo país’, quando na verdade poderia instituir o horário de verão para evitar o caos de energia.

 

O estopim está aceso e a bandidagem ocupa espaços onde o sistema não prevalece com a força policial. Basta ver que recentemente foram realizados dois grandes assaltos a bancos por quadrilhas fortemente armadas com armas de grosso calibre, capaz de derrubar helicópteros. Um assalto aconteceu em Criciúma e no dia seguinte em Cametá. Nos dois atos violentos com mais de 20 bandidos, houve tiroteio intenso e foram feitos reféns. Isso é ou não é um barril de pólvora, que por sinal, motiva outras facções a continuar?

 

São 700 dias de queimadas sem as devidas providências. São dias infernais de pandemia com mais de 170 mil mortos e nenhuma providência,  lamentação ou palavras de conforto às famílias enlutadas.

 

Barril de pólvora é não fechar as praias e não proibir aglomerações nas festas de fim de ano para evitar a segunda onda do vírus. Mas, não culpo só o governo. A culpa de contaminação também é do povo inconsequente e sem consciência do que está acontecendo no país, seja na área política, ou de ciência e educação.

 

E finalmente, estamos sim, sentados em um barril de pólvora tentando apagar com gasolina o estopim aceso. Mesmo sem querer ser o ‘pai Diná’, a previsão é de que vai explodir em 2021. Deus queira que eu minta.

 

Carlos Holanda


terça-feira, 1 de dezembro de 2020

EVA VS AVA

 


Escrevi uma história que se inicia no primeiro episódio com o título "CRIATURAS", onde dois cientistas fazem experiências genéticas com animais e seres humanos. O segundo episódio é intitulado "EVA", uma heroína criada nesse laboratório. E por incrível que pareça, hoje vi na grade de streaming da Netflix o lançamento do filme "AVA". Embora Ava não tenha sido criada em laboratório tem qualidades e habilidades semelhantes às que atribuí à EVA. Parece que leram meus pensamentos.