terça-feira, 29 de novembro de 2016

Nossas Lendas: A língua da Raimunda Macaca

A língua da Raimunda Macaca
Em União acredita-se que o que mata uma pessoa ferida por algum motivo ou mordida de cobra não é o veneno, e sim, o veneno da língua de quem fala com a pessoa após a mordida. Desta maneira, quando a pessoa é picada, procura logo se esconder dentro da mata, numa palhoça ou esconderijo, ficando isolada do contato humano durante quarenta e oito horas para evitar ser contaminada.
Famoso é o caso de Raimunda Macaca.
Certo dia um homem foi ferido com um facão e o povo conseguiu estancar o sangue, colocando ervas e emplastros de folhas de bananeiras no ferimento. Depois de algum tempo, já próximo de cicatrizar, encontrou com a Raimunda Macaca, que de longe perguntou: - O que foi isso? Como aconteceu? Imediatamente o sangue começou a jorrar. Por conta desse e de outros eventos, o povo de União diz:
- Deus nos proteja da língua de Raimunda Macaca!

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Nossas Lendas: MORRO GEMEDOR

LENDA DO MORRO GEMEDOR
A índia Intã, linda jovem Tremembé descendente de Mandu Ladino, vivia na Ilha Grande de Santa Isabel, numa linda praia próxima a Pedra do Sal.
Intã amava a natureza, gostava de caminhar pela praia, brincando com a areia e as ondas que chegavam aos seus pés e, num desses passeios encontrou desmaiado, um náufrago, moço branco, de cabelos loiros, sua formosura deixou a Índia Intã encantada e apaixonada e, logo passou a chamá-lo de Ará.
Consciente do perigo que corria caso fosse visto pela tribo, Intã resolveu escondê-lo, e escondeu seu príncipe numa cabana distante, abandonada.
Quando ele se recuperou os dois começaram a passar os dias se amando, envolvidos no maior romantismo e não perceberam, entretanto, a invasão das dunas. A areia cobria a “cabana do amor”, como poderiam chamá-la.
A cabana desapareceu, foi coberta pela areia e, segundo contam, a índia Intã continua a gemer nos braços de seu grande amor o seu príncipe Ará.
O lugar soterrado deu origem ao Morro Gemedor, e se você tem dúvidas sobre está historia, visite e tente subir, o Morro Gemedor que você ouvirá com certeza, os “Ais” de amor de Intã e Ará.
Devido a divisão territorial ocorrida em 1997, esse morro localiza-se agora no município de Ilha Grande do Piauí, portanto não é mais uma lenda tão "parnaibana".

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Nossas Lendas: CARNAÚBA

A LENDA DA CARNAÚBA
Em uma região muito fecunda e bonançosa – conta uma lenda indígena – habitava uma tribo feliz e próspera, tempos em que a memória não guardou.
Um dia, uma seca terrível assolou o País. Luas e luas os habitantes aguardaram as chuvas, mas o flagelo persistiu, e a tribo, outrora feliz, viu seus filhos morrerem um após o outro. Uma família apenas sobreviveu à catástrofe: um casal e um filho. Ante a ruína do seu povo, os três partiram em busca de outras terras.
Seis dias e seis noites viajaram os retirantes. No sétimo dia, sob um sol escaldante, avistaram na chapada, uma palmeira perdida no deserto. Abrigaram-se à sua sombra para momentos de repouso. Vencidos pelo cansaço, os pais adormeceram, enquanto o jovem índio, desperto, implorou as graças de Tupã. Nesse momento, no alto da palmeira, entre sua folhagem, surgiu uma mulher, morena e bela.
― Meu nome é Carnaúba, disse ela. Como a tua, a minha tribo foi destruída pela seca. Quando morri, Tupã, apiedado, transformou-me nesta palmeira, para que protegesse nossos irmãos de raça. Toma de teu machado e me corta! Do meu estipe tirarás o palmito e terá alimento. Com minhas palhas, construirás teu abrigo; da minha cera farás velas e terá paz. O meu fruto plantará e outras palmeiras surgirão para o teu povo.
Assim fez o jovem índio. Em alguns anos, o deserto transmudou num palmeiral farfalhante. A família transformou-se em "Clã". A vida voltou a ser feliz. E o jovem índio, agora envelhecido, partiu para levar, às outras tribos, sementes da palmeira de Tupã, que passou a chamar-se a "ÁRVORE DA VIDA".
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Nossas Lendas: O VEADO BAIÃO

O VEADO BAIÃO
O Veado Baião é um fantasma que aparece na região sul do estado, nas matas de Ribeiro Gonçalves.
Os caçadores de veados, pacas, onças, pebas e tatus costumam encontrá-lo. Não é perigoso. Aparece na alta madrugada, nas horas mortas da noite cantando baião, só não pode atrapalhar sua cantoria que ele vira bicho e corre atrás.
Gosta de ficar embaixo da copa do jatobá ou de um pé de mirindiba, só nas patas trazeiras com a cabeça pra cima e batendo nos peitos, se requebrando, com trejeitos, cantando essa cantiga:
“Essas mocinhas de hoje
tem um costume ruim,
quando chegam no escuro,
dizem assim:
Me arroche, meu bem!
Me arroche!
Me beije, meu bem!
Não tenha pena de mim!
E não diga que é veado,
Pois hoje estou a fim...”

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Nossas Lendas: Zamba

ZAMBA
A Zamba é uma das lendas indígenas do nosso folclore, especialmente na região sudeste do estado. Assemelha-se a gente, é uma figura alta, pescoço demasiadamente grande e com os pés para fora e calcanhares para dentro, formando um ângulo de cento e oitenta graus. Tem o corpo inteiriço, sem uma junta sequer.
A Zamba dorme em pé, encostada em uma árvore.
Se você encontrar uma dormida de Zamba, será fácil de capturá-la. Basta empurrar que ela cai, e como não tem juntas, fica incapaz de se levantar.
Quem possuir um couro de Zamba é dono de invejável sorte, mas não pode falar pra ninguém sob pena de virar azar.
Quando a Zamba vai dormir, após a meia noite, solta gritos e assobios horripilantes que assombram os viventes que a escutam.
Caçadores e viajantes, vez ou outra a escutam. Porém, ela é inofensiva, não agride ninguém.

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Nossas Lendas: Alice

ALICE
Alice era uma moça bonita, filha de uma família importante e rica. Um dia Alice foi à praia de Atalaia, em Luís Correia e desapareceu.
O pai, desesperado, contratou todos os pescadores para tentar encontrar o corpo, mas foi em vão. Nunca conseguiram nem sinal.
Corre a boca miúda entre os pescadores e moradores do lugar que, para desencantar Alice, é necessário ter coragem, pois ela transformou-se numa enorme serpente marinha. Primeiro precisa-se de quatro objetos virgens: uma faca, um espelho, um pente e uma toalha. Segundo, esperar na praia em noite de lua cheia, à meia noite, contar sete ondas, e na sétima onda, abrir com a faca, de onde sairá a serpente. Após esse ritual, o pretendente terá que cortar o rabo dela a qualquer custo e correr sem olhar pra trás.
Alice então desencantará e cobrirá sua nudez com a toalha ali deixada; penteará seus longos cabelos mirando-se no espelho. Em seguida, Alice irá procurar o pescador que a desencantou e com ele se casará dando-lhes enorme fortuna.

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Nossas Lendas: Num se Pode

É uma lenda tipicamente teresinense. Conta a história de uma linda mulher que, tarde da noite, aparecia na praça Saraiva ostentando sua beleza debaixo de um dos lampiões ali existentes. Movidos por aquela bela aparição, os homens se aproximavam para conversar ou, quem sabe, aventurar mais uma conquista. Ao chegarem perto, a linda mulher pedia um cigarro, e quando recebia começava a crescer, crescer, até atingir o topo do lampião de gás e nele acender o cigarro. Enquanto crescia, ela repetia: “num-se-pode, num-se-pode, num-se-pode..."
Ilustração de Herbert Véras Viana, que resolveu colocar o relógio da Praça Rio Branco e o Teatro 4 de Setembro no cenário.


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